domingo, noviembre 29, 2020

Andretti, Foyt, Carpenter e McLaren: a briga por US$ 1 milhão no fundo do pelotão

Texto: Geferson Kern/colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

A briga pelo título da temporada 2020 entre Scott Dixon e Josef Newgarden não será a única da etapa decisiva da Fórmula Indy, a ser disputada neste domingo (25), em St. Petersburg.

Há disputas pelos títulos de melhor rookie (estreante), campeã entre as fornecedoras de motores e uma batalha especialmente acirrada, que envolve carros mais ao fundo do pelotão: a briga por US$ 1 milhão em 2021, valor que pode representar de 15 a 20% do orçamento anual para alinhar um carro no grid (segundo a revista especializada Racer) e até garantir a continuidade de um participante na categoria no próximo ano.

A disputa em questão envolve os entrant points, ou seja, os pontos que cada carro computa ao longo de uma temporada. Um exemplo claro é o que ocorre com o carro #20, da equipe Carpenter, cuja pilotagem é dividida na temporada por dois competidores: Conor Daly (circuitos mistos) e Ed Carpenter (ovais). No campeonato de pilotos, o filho de Derek Daly é o 16º, com 224 pontos, fruto também de suas participações, nos ovais, no carro #59, da equipe Carlin. Já o proprietário do time é o 25º na tabela, com 81 pontos.

Na classificação dos entrant points, o carro dividido por Daly e Carpenter não está nem em um nem em outro lugar: é o 21º, com 179 pontos, o que representa o número de tentos somados por Conor e Ed somente nas provas em que competiram a bordo do bólido #20. A missão para a Carpenter e também para nomes tradicionalíssimos do automobilismo, como Andretti, Foyt e até a McLaren, é clara: manter seus carros entre os 22 melhores nesta tabela. Assim, a equipe garante seu carro como integrante do Leader’s Circle (Círculo de Líderes, em tradução livre), em que cada carro recebe US$ 1 milhão distribuído pela própria IndyCar, organizadora da competição.

O programa foi estabelecido ainda em 2002, na então Indy Racing League (IRL) e se mantém desde então. Por meio dele, as equipes não recebem premiações por seus resultados em cada prova (com exceção das 500 Milhas de Indianápolis): os valores são retidos pela IndyCar e os 22 carros de melhor pontuação participam igualmente do rateio, como meio de buscar garantias de um número tido como aceitável pela categoria para formar o grid. O problema é que, em 2020, há 23 carros que competem de forma integral. E um deles ficará sem o cortejado milhão em 2021.

A matemática do milhão

Em St. Petersburg, seis carros chegarão matematicamente com riscos de serem eliminados do grupo dos 22: pela ordem de pontuação, são eles os bólidos #7 (McLaren, de Oliver Askew e que foi substituído na última prova por Hélio Castroneves, com 200 pontos), #26 (Andretti, de Zach Veach, trocado também desde a última corrida por James Hinchcliffe, com 199), #4 (Foyt, com Charlie Kimball), #20 (o supracitado carro da Carpenter com Conor Daly e Ed Carpenter, 179 pontos), #14 (Foyt, que já foi pilotado por Tony Kanaan e Dalton Kellett neste ano e desde a corrida passada possui Sebastien Bourdais a bordo, 173) e #98 (Andretti, com Marco Andretti, 166).

As trocas feitas para o último fim de semana de provas da Indy, com uma rodada dupla no misto de Indianápolis, estão diretamente ligadas ao Leader’s Circle: Michael Andretti afastou Veach, com provas abaixo da média, para apostar na experiência de Hinchcliffe, de seis vitórias na categoria.

Na Foyt, o discreto estreante Kellett foi trocado pelo tetracampeão Bourdais, que já está acertado para continuar no time em 2021. Já a McLaren, sem poder contar com Askew, vetado por razões médicas, decidiu apostar na experiência de Castroneves, com 30 vitórias e um tricampeonato da Indy 500 no currículo, para somar o maior número possível de pontos na prova passada.

O caso mais emblemático talvez seja o de Andretti: apesar da pole nas 500 Milhas de Indianápolis, a primeira da família para a prova em 33 anos, o neto de Mario Andretti faz sua pior temporada na categoria. No campeonato de pilotos, está atrás até do novato Askew, que tem duas provas a menos pelas questões de saúde citadas. Em 13 etapas até aqui em 2020, Marco não passou de um décimo lugar em uma das provas em Iowa. O jejum de pódios arrasta-se desde 2015, enquanto o de vitórias o persegue desde 2011 – há mais de 150 provas, portanto. 

O drama de Andretti – em números

Sem pontuação dobrada na etapa final neste ano, há 54 pontos em jogo na prova de St. Petersburg – 50 ao vencedor da prova e mais quatro pontos bônus. Na etapa final, excepcionalmente, haverá 24 carros no grid: os 23 que competem regularmente o ano todo mais um quarto carro da Penske, para o neozelandês Scott McLaughlin, piloto da equipe no campeonato Supercars, da Austrália e que fará sua estreia na categoria.

Desta forma, o mínimo que um piloto (e seu carro) pode somar ao largar são seis pontos pela 24ª posição. Ou seja: para tomar os dois piores colocados na tabela de entrant points como exemplo, mesmo que Bourdais e o #14 terminem em último lugar, Marco Andretti ainda precisaria levar o #98 ao 16º posto nas ruas da cidade da Flórida para descontar a vantagem de oito pontos do carro rival – coisa que ele só conseguiu quatro vezes em 13 provas neste ano, todas em corridas em ovais. 

Se não conseguir suplantar os rivais diretos, até mesmo a sequência na categoria do carro do qual é sócio, ao lado do pai Michael, de Bryan Herta e do Curb Agajanian Performance Group (a equipe do #98 oficialmente se chama Andretti Herta Autosport with Marco Andretti & Curb Agajanian), pode ficar ameaçada. E a temporada que parecia de renascimento de Marco com o comando do grid em Indianápolis pode ganhar ares dramáticos – e até de despedida – para o piloto e seu carro.

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