jueves, octubre 29, 2020

Kanaan: sem arrependimentos e com muita gratidão antes da despedida

Texto: Bruce Martin / IndyCar.com

Adaptação: Geferson Kern / colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

Quando Tony Kanaan chegou aos EUA para começar uma carreira no automobilismo, ele era um garoto de 16 anos vindo do Brasil que não falava uma palavra em inglês. Também não tinha dinheiro nem onde morar.

Kanaan experimentaria o que se chama de “sonho americano”.

“Eu devo dizer, tenho muita sorte de poder ter tido uma carreira aqui”, diz o brasileiro. “Nós dizemos que os EUA são a terra das oportunidades. Olhando para trás, sou muito orgulhoso do que conquistei”.

“Maior número de largadas consecutivas na Fórmula Indy, segundo maior número de largadas em todos os tempos, um título em 2004 e a vitória das 500 Milhas de Indianápolis em 2013. Eu nunca poderia ter sonhado com isso”.

Um capítulo da brilhante carreira de 22 anos de Kanaan na Indy chegará ao fim neste fim de semana na rodada dupla no circuito de Gateway, em St. Louis. 

É um ótimo lugar para o possível último fim de semana da carreira de Tony como piloto da Indy. Em 2003, ele largou em terceiro e chegou em segundo pela então chamada equipe Andretti-Green.

A Indy voltou ao circuito após anos de ausência em 2017. No último ano, Kanaan largou em 20º e terminou em terceiro, em pódio que incluiu três dos mais velhos e experientes pilotos da categoria.

Takuma Sato, que venceu sua segunda Indy 500 no último domingo (23), venceu a corrida na ocasião quando tinha 42 anos de idade. Ed Carpenter, 38, foi o segundo, com Kanaan, então com 44, em terceiro.

Agora, Kanaan chega em St. Louis para suas duas últimas largadas da temporada, onde tenta reviver o sucesso de outrora.

“Foi isso que planejei”, diz ele. “Quando programei minha temporada, escolhei os ovais pois sei que, como um time, somos muito fortes nessas pistas. Estou realmente confiante que podemos terminar a temporada em alta”. 

“Tem sido um ano estranho para todos. Para mim, é como se todos estivessem numa temporada parcial. OK. É menos doloroso [se despedir] do que se tivesse sido numa temporada normal”.

Há algumas semanas, TK mostrou interesse em competir nas 500 Milhas de Indianápolis em 2021, para poder dar aos seus fãs uma última chance de fato de vê-lo encerrar sua carreira.

Mas ele está encarando esse fim de semana como o último, pois não possui garantias de que vai correr em Indianápolis no próximo ano.

“Eu decidi que quero voltar, mas não tenho um carro nem um patrocinador para o próximo ano”, afirma. 

“Esse fim de semana vai ser estranho. Pode ser minha última corrida. Espero que não, mas hoje seria a última. Não tenho nenhum contrato para o próximo ano”.

O World Wide Technology Raceway at Gateway (nome oficial do autódromo de St. Louis) planeja ter espectadores na arquibancada neste fim de semana. Um total de 20% da capacidade de público do local, em função da pandemia da covid-19. 

Ter uma chance de possivelmente encerrar a carreira diante dos fãs é importante para um ídolo da categoria como Tony.

“Esse é o motivo pelo qual eu queria correr esse ano, os fãs”, ressalta. “Veja o que construí em todos esses anos. Eles precisam algo melhor do que isso [N. do E.: despedida em provas com portões fechados]. Não posso apenas ir embora. Vou fazer o meu melhor para poder ter um adeus digno em Indianápolis no próximo ano”.

“Ao menos essa prova terá público nas arquibancadas. Se nada acontecer, ao menos terá sido dessa forma. Mas eu acho que os fãs merecem me ver na Indy 500 em 2021”.

Numa temporada em que sua participação ficou restrita aos circuitos ovais, Kanaan correu nesse ano na prova do Texas, na rodada dupla de Iowa e nas 500 Milhas de Indianápolis. Assim, o fim de semana de duas corridas em Gateway será seu último em 2020.

“Esse tipo de circuito sempre funcionou bem para mim, pela forma que você precisa guiar e assumir riscos. Eu realmente não tenho uma resposta concreta sobre porquê eu vou bem aqui. Mas combina com meu estilo. Eu amo isso”.

Depois deste fim de semana, Tony vai avaliar suas opções para o futuro, o que inclui uma possível participação na Indy 500 no próximo ano. Ele também vai competir em uma nova categoria criada pelo ex-campeão da IRL e tricampeão da Nascar, Tony Stewart.

Kanaan quer continuar envolvido com a Indy “de qualquer jeito”. Ele vai trabalhar com o patrocinador máster da categoria, a NTT, em 2021, na relação com clientes e convidados corporativos quando estes estiverem na pista, “o que esperamos que aconteça no próximo ano”.

“O futuro está em aberto”, assinala.

Neste fim de semana, seus fãs e adversários terão a chance de relembrar as glórias do passado de Tony Kanaan e o fim, até segunda ordem, de uma grande carreira.

“Tudo um dia acaba”, diz. “Às vezes, é difícil quando você faz isso por uma vida toda, desde que era criança, mas tenho ficado mais e mais à vontade com a ideia de que isso [a carreira na Indy] vai acabar, ou está diminuindo junto com o número de provas”.

“Estou de bem com isso. Com uma longa carreira como eu tive, sinto como se o trabalho estivesse concluído e de uma forma positiva».

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