jueves, octubre 22, 2020

McLaren, Andretti, Rahal ou só a Indy 500: uma análise das opções de Castroneves para voltar à Indy em 2021

Texto: Geferson Kern / colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

Hélio Castroneves quer voltar à Fórmula Indy na próxima temporada – e já disse isso com todas as letras. Depois de três temporadas ausente, o brasileiro quer aproveitar sua saída forçada da Penske – onde ficou sem vaga em função do encerramento do programa da equipe na IMSA, após o rompimento da parceria com a Acura – para voltar à categoria que o consagrou e na qual conquistou 30 vitórias, um décimo delas na maior prova de todas: as 500 Milhas de Indianápolis.

Permanecer na IMSA pode ser uma opção para Castroneves: o brasileiro briga pelo título e, após três vitórias consecutivas, as três primeiras dele e do parceiro Ricky Taylor pela Penske na categoria, é o terceiro colocado no campeonato. Mas o desejo pela Indy é maior e há negociações em aberto para que o retorno do paulista de 45 anos se concretize. Com ao menos quatro equipes, como o próprio já admitiu.

Com base em informações de bastidores e nos rumores já veiculados pela imprensa especializada, sobretudo nos EUA, o IndyCarLatinos.com analisa aqui as possibilidades de Helinho para retornar à maior categoria de monopostos da América.

A mais comentada

Ao site Motorsport.com, Hélio confirmou nesta semana o que disse há 15 dias, quando declarou que quatro equipes demonstraram interesse nele: uma pediu para que esperasse até outubro. A outra ainda analisava se um de seus atuais titulares continuaria competindo ou se aposentaria ao fim da temporada. A terceira opção era por um time que busca patrocínio para alinhar um carro para o brasileiro. Já a última alternativa era de uma equipe que o queria somente para as 500 Milhas de Indianápolis, mas o brasileiro deixava claro que sua prioridade era disputar a temporada completa.

A primeira e mais comentada opção é a McLaren. Ou ao menos era: o iminente e surpreendente anúncio de que o sueco Felix Rosenqvist vai deixar a Chip Ganassi para juntar-se ao mexicano Pato O’Ward no time papaya reduziu as chances do brasileiro na equipe, pela qual já competiu na rodada dupla no misto de Indianápolis em substituição ao atual titular do segundo carro laranja, Oliver Askew, já liberado para 2021. 

No entanto, publicações como a Racer afirmam que Zak Brown não descarta alinhar um terceiro carro, ao menos para algumas provas, caso obtenha patrocínio para tanto. O que faz sentido: para 2020, Brown havia procurado Castroneves para correr em um de seus carros na Indy, mas não houve acordo.

O CEO do grupo fundado na Nova Zelândia também havia cogitado um terceiro carro para ser dividido pelos velozes e midiáticos Fernando Alonso, Jimmie Johnson e até Jenson Button para este ano, mas a pandemia da COVID-19 mudou os planos. Ter um piloto rápido e experiente ainda pode fazer sentido para a equipe, mesmo com duas vagas já ocupadas.

Dependência da aposentadoria – e de dinheiro

A segunda opção pode soar um tanto quanto surpreendente: é a Andretti Autosport, na vaga justamente do filho do dono da equipe, Marco Andretti. Apesar da pole nas 500 Milhas de Indianápolis, o herdeiro de Michael Andretti parece ter chegado ao fundo do poço em sua carreira na categoria. Seu melhor resultado é o um décimo lugar. Está em vigésimo na tabela, com 166 pontos, empatado com Zach Veach e atrás de Askew – ambos com duas provas a menos, pois não participaram da mais recente rodada dupla realizada em Indianápolis.

Os rumores sobre a aposentadoria de Marco, que não vence há nove anos – ou mais de 150 provas -, são crescentes, o que não fecha a porta para que ele continue em provas esporádicas – especialmente a Indy 500 – ou mesmo retorne no futuro. Mas há um agravante: a temporada de Marco é tão ruim que seu carro, o #98, é o 23º na classificação dos entrant points, uma espécie de competição que considera a pontuação obtida por cada carro na temporada. E só os 22 primeiros nesta pontuação integram o Leader’s Circle, que consiste na distribuição de US$ 1 milhão para cada um pela IndyCar, valor que pode chegar a um quinto do orçamento de uma temporada.

O risco de sair do Leader’s Circle explica o motivo da troca, na mesma de Andretti, de Veach por James Hinchcliffe nas últimas provas do ano, já que o carro #26 também estava “on the bubble”, como se diz no Bump Day de Indianápolis, para ficar fora do grupo de 22. A possível perda deste montante, a ser confirmada ou não conforme os resultados da etapa derradeira da temporada, no dia 25, em St. Petersburg, pode fazer a Andretti reduzir sua esquadra, que conta hoje com cinco carros. E minar as chances de Hélio voltar à Indy por um time do trio de ferro da categoria. 

Opção vencedora

Outra alternativa para que Castroneves volte à Indy é por meio de uma equipe que se deu muito bem neste ano no lugar onde ele é especialista: a Rahal Letterman Lanigan, vencedora das últimas 500 Milhas de Indianápolis com Takuma Sato, que derrotou o próprio Hélio na mesma prova numa chegada dramática em 2017. O time dirigido por Bobby Rahal, no entanto, depende de captação de patrocínio para viabilizar a contratação do brasileiro ou de qualquer outro piloto.

Os jornalistas especializados na área creem que Sato, apadrinhado da Honda, permaneça no time em 2021. Já Graham Rahal não só é filho do dono do time como um sujeito que busca patrocínios para a equipe viabilizar sua presença no grid. Tanto Graham quanto seus patrocinadores possuem acordos que extrapolam os limites da atual temporada, o que o garante na equipe para o próximo ano. E, segundo a Racer, o time adoraria ter patrocínio para ter um terceiro carro em tempo integral.

Uma possibilidade é a manutenção da parceria com a Citrone-Buhl, equipe comandada pelo ex-piloto Robbie Buhl e pelo bilionário Robert Citrone, que dirige o fundo de investimentos Discovery Capital Management. O empresário poderia servir de mecenas para ampliar a presença na categoria do time fundado neste ano e que participou da etapa de julho no misto de Indianápolis, bem como da Indy 500, com um carro, com apoio da RLL e com Spencer Pigot ao volante.

Como está, fica

A última alternativa para que Castroneves marque presença na Indy em 2021 seria disputar somente a prova que o consagrou: as 500 Milhas de Indianápolis. E ele poderia fazer isso por uma equipe que conhece muito bem. Desde 2000, para ser mais exato: a Penske, que mesmo em seus três anos de IMSA, alinhou um carro entre os 33 do grid no oval mais famoso do mundo para que Helinho buscasse o inédito tetracampeonato para um não americano na prova.

Durante a última edição das 500 Milhas, Roger Penske deu entrevista ao jornal IndyStar e garantiu a manutenção de seu atual trio de titulares (Josef Newgarden, Will Power e Simon Pagenaud) para a próxima temporada e deixou a porta aberta para um retorno de Hélio. A prioridade, no entanto, é aproveitar o brasileiro somente na prova máxima da temporada. Afinal, a Penske também quer trabalhar um piloto que pode ser seu futuro na IndyCar: Scott McLaughlin.

Tricampeão pela equipe do Supercars australiano, o neozelandês já deveria ter competido em algumas provas da Indy neste ano, mas os planos foram adiados em função da pandemia. Ainda assim, ele está confirmado para a etapa derradeira da temporada, em St. Petersburg, onde pilotará justamente o carro #3, que foi de Hélio desde 2000. 

Curiosidade: em sua estreia na categoria, McLaughlin será o primeiro piloto da Indy sem ser o brasileiro a ocupar o número desde a prova na mesma St. Pete em 2009, quando Castroneves se ausentou enquanto se defendia do processo de fraude fiscal do qual acabou absolvido. À ocasião, foi substituído por Will Power, que seria efetivado no time no ano seguinte.

As possibilidades não se encerram com as equipes citadas acima, mas são elas as que surgem com mais força no momento.A intertemporada é relativamente longa: são quatro meses desde a prova final de 2020, dia 25 de outubro, em St. Petersburg, até a abertura da próxima temporada, curiosamente no mesmo local, em 7 de março de 2021. Tempo para que Helinho prove não só que ainda é rápido, mas capaz de atrair e manter patrocinadores que viabilizem sua presença no grid.

É um sinal promissor: velocidade e popularidade sempre foram dois pontos fortes seus. Assim, os fãs do homem aranha podem manter as esperanças de ver seu piloto preferido de volta ao grid no ano que vem. E os brasileiros, especialmente, podem voltar a torcer em tempo integral por um piloto que os faz vibrar desde um já distante ano de 1998. 

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