jueves, octubre 22, 2020

Penske x Andretti, duelo de gigantes até a bandeirada

Texto: Geferson Kern / colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

Faltam 4 dias para as 500 Milhas de Indianápolis. Quatro é o número de edições da prova que Sam Hornish Jr. correu pela Penske. E foi por este time que o maior vencedor da era IRL da Indy venceu o próprio histórico desastrado no Speedway para conquistar o mais importante dos primeiros lugares.

A temporada 2006 foi sintomática quanto aos problemas que a Indy sofria após a cisão entre CART e IRL, ocorrida exatos dez anos antes. Ambas as categorias sofriam para fechar seus grids, atualizar seus chassis e, agora, se tornavam monomarcas.

Enquanto a CART corria com os mesmos Lola-Ford desde 2003, a IRL perdia Toyota e Chevrolet, que estava presente desde a fundação do campeonato de Tony George – de início com a marca Oldsmobile, hoje extinta. Dominados pela Honda nas duas últimas edições do campeonato e das 500 Milhas. Os chassis ainda eram alternados entre Dallara e Panoz, mas os últimos logo deixariam a categoria e a mergulhariam num período tecnicamente obscuro que duraria até 2011.

Com todos os carros equipados com motor Honda, dois gigantes da Indy vislumbraram um renascimento após temporadas apagadas: nada menos do que Penske e Ganassi, que foram dominadas inapelavelmente pela Andretti-Green, time principal da Honda e que dispunha de quatro carros, em 2004 e 2005.

Os motores nipônicos venceram o campeonato de 2004 com Tony Kanaan e, no ano seguinte, faturaram a Indy 500 e a taça com Dan Wheldon. A 500 restante foi vencida pelo inesperado Buddy Rice, da Rahal-Letterman, também com um motor japonês. Não foi para isso que Roger Penske e Chip Ganassi migraram de categoria e ajudaram a IRL a ser o lado forte da queda de braço com a já chamada Champ Car.

Wheldon (FOTO: Indianapolis Motor Speedway)
Wheldon (FOTO: Indianapolis Motor Speedway)

A Penske apostou na manutenção da dupla Hélio Castroneves e Hornish Jr., enquanto a Ganassi contratou o campeão Wheldon para correr ao lado de Scott Dixon. Na vaga aberta pelo inglês na Andretti-Green, foi escalado o jovem Marco Andretti, de apenas 19 anos, que vinha de uma temporada de provas esporádicas e de bons resultados na Indy Lights. Ele se juntaria à esquadra já formada por Kanaan, Bryan Herta e Dario Franchitti. Seria a primeira vez desde as 500 Milhas de Indianápolis de 2003, prova derradeira da carreira do pai, que o tradicional sobrenome estaria no grid.

Michael, aliás, ficou tão animado com a estreia do filho que interrompeu a aposentadoria e se inscreveu para a principal prova do ano. Os dois disporiam até mesmo de uma conexão direta via rádio para interagir durante a prova. Eddie Cheever, que não corria desde 2002, também surpreendeu e retornou para competir em todo o campeonato com seu próprio time.

No fim do pelotão, o destaque às avessas era o patrocínio da estrela da NBA Carmelo Anthony ao carro de P. J. Chesson, da Hemelgarn. Apesar da agressiva campanha de marketing, que apelidou o bólido de Car Melo, Chesson e o companheiro Jeff Bucknum bateriam logo na segunda volta da prova e abandonariam, numa papagaiada épica.

Para a 90ª edição das 500 Milhas, Penske e Ganassi queriam voltar a mostrar força – e o fizeram desde a classificação. Hornish cravou a pole, seguido de Castroneves, Wheldon e Dixon. Só depois apareceria o primeiro carro da Andretti-Green, com Kanaan em 5º. Estava claro que a prova tendia a ser completamente dominada pelo trio de ferro da Indy. E Wheldon mostrava estar em plenas condições de ser apenas o sexto homem na história a vencer duas edições consecutivas da prova: ele terminaria a prova com estonteantes 148 das 200 voltas lideradas. Na 66ª passagem, já tinha meia volta de vantagem para o segundo colocado, enquanto apenas os oito primeiros ainda se mantinham na mesma volta do líder.

Wheldon continuava a dar as cartas, tendo sua liderança interrompida por períodos breves nas primeiras 182 voltas. Para ajudar, os próprios adversários colaboravam. Na volta 110, Helinho bateu com Rice, no primeiro acidente entre ex-campeões da prova desde a colisão entre Emerson Fittipaldi e Rick Mears, na edição de 1992. Na volta 149, Al Unser Jr., que após um ano ausente retornava pela Dreyer & Reinbold – num esquema de cores com a bandeira americana, oficialmente denominado Team USA, com envolvimento da equipe ianque da finada A1GP, a Copa do Mundo do automobilismo -, bateu na curva 3.

Hornish, que liderara pouco antes, foi aos boxes e deixou os pits com a mangueira de reabastecimento engatada. Penske assumiu a responsabilidade, ao declarar ter dito no rádio para que o piloto arrancasse enquanto o carro ainda era abastecido. Além da perda de tempo precisa, o então bicampeão da IRL em 2001-02 levou um drive through na relargada, o que o deixou meio minuto – quase uma volta – atrás do líder.

FOTO: John Cote/Indianapolis Motor Speedway

A última bandeira amarela veio na volta 191, quando Felipe Giaffone, da Foyt, bateu na curva 2, exatamente quando Marco, então segundo colocado, fazia sua parada final. O então líder Kanaan foi para os pits. A liderança caiu no colo de Michael, que mudou sua estratégia e parou na volta 160 para tentar ir até o final.

Ele era seguido do próprio filho mais Dixon e Hornish Jr., que havia seguido a estratégia de Michael e, com as bandeiras amarelas, voltado a figurar no pelotão da frente. O jogo de pit stops não fora favorável para Kanaan e Wheldon, dois dos carros mais rápidos do domingo e que perdiam terreno para os adversários.

A relargada foi dada na volta 197. Hornish veio babando e engoliu Dixon para assumir o terceiro lugar. Na volta seguinte, Marco superou o próprio pai e assumiu a ponta pela primeira vez na prova. Hornish também deixou o #1 para trás e tentou ultrapassar o jovem no final da reta oposta, mas levou uma fechada categórica. Marco, o filho de Michael e neto de Mario, que acompanhava tudo aflito dos boxes, recebia a bandeira branca com um segundo de vantagem para o rival da Penske.

Depois de uma prova atribulada, Hornish faria de longe, afinal, sua melhor Indy 500: seu melhor resultado havia sido somente um 14º lugar com a Panther em 2001. Apesar de ter sido bicampeão aos 23 anos, acumular até ali 15 vitórias e ter sido escolhido pelo maior time da categoria para suceder o aposentado Gil de Ferran, o nativo de Ohio parecia ter sobre si uma maldição quando se tratava de Indianápolis.

Mas, do outro lado, também havia. E ela era maior e mais antiga.

Marco liderava com certa tranquilidade até a reta oposta, mas era possível perceber que, no contorno da curva 3, Hornish aproximava-se como um leão. O #6 calculou com maestria o ponto certo para se aproximar e entrar na reta embutido na traseira do líder, valendo-se de seu vácuo. Quando os dois deixaram a curva 4, Hornish deu o bote. Colou na traseira de Marco e engoliu o rival.

Recebeu a bandeirada na frente por meros 63 milésimos, o que equivalente a 4,6 m. Era a segunda chegada mais apertada da história da prova, atrás apenas da imbatível corrida de 92. Pela primeira vez, o piloto que recebeu a bandeira branca na ponta não era também o primeiro a receber a bandeirada. Hornish e a Penske superavam os próprios erros para passar pai e filho em três giros e vencer de maneira espetacular.

Deslanchar em Indianápolis foi fundamental para Sam Hornish Jr. arrancar rumo ao tricampeonato da Indy. Ele venceria mais três provas naquele ano, que foram fundamentais para a conquista do título justamente pelo critério de número de vitórias – afinal, o piloto da Penske terminou empatado em pontos com Wheldon, que conquistou somente dois primeiros lugares. Marco viraria sensação. Fazia uma grande prova na etapa seguinte, em Watkins Glen, até ser jogado pra fora por Cheever. No final daquele ano, conquistava sua primeira vitória, em Sonoma.

Mas a fortuna dos dois não foi tão longe. Hornish, em 2008, migrou de vez para a Nascar, onde nunca chegou perto do sucesso esportivo que conquistou na Indy – e, estranhamente, nunca tentou retornar, mesmo quando ficou a pé nos stock cars. Marco, depois daquele ano, venceria somente mais uma vez na carreira até hoje. Jamais passaria do quinto lugar no campeonato e nunca faria sequer sombra às carreiras maravilhosas do pai e do avô. A Indy sente falta daqueles Marco e Hornish da chegada espetacular de sua nonagésima edição.

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