domingo, octubre 25, 2020

Rutherford, o heroi da McLaren na Indy

Faltam 9 dias para as «500 Milhas de Indianápolis». Em sua primeira prova pelo time oficial da McLaren, em 1973, Johnny Rutherford largou na pole, mas chegou na nona posição. Era a primeira prova de uma união que se mostraria deveras proveitosa pela equipe laranja quanto para este nativo do Kansas mas criado no Texas.

John Sherman Rutherford III estava longe de ser marinheiro de primeira viagem quando chegou à escuderia fundada pelo então já falecido Bruce McLaren. Havia participado das 500 Milhas desde 1963, com exceção de 66, quando sofreu um acidente em Eldora – sim, a mesma pista onde a Nascar Truck Series corre hoje – em que quebrou braços, dedos e sofreu uma lesão na cabeça, o que lhe impossibilitou de correr em Indy.

Seus resultados, no entanto, não eram animadores: apesar de ter largado em segundo em 1970, nunca havia ido além do 18º lugar na prova, conquistado em 68, 70 e 71. Também já havia sido campeão nacional de sprint cars em 65 e competido em três Daytona 500, com direito a uma vitória pela Nascar em sua primeira largada – uma das baterias para formação do grid da famosa prova na Flórida.

A McLaren, por sua vez, já havia estado em Indianápolis desde 1970, quando Peter Revson e Carl Williams compareceram com modelos M15. Em 71, veio o modelo M16 que, segundo Mark Donohue, tornou todos os outros carros obsoletos. Este carro fez pole e chegou no segundo lugar naquele ano com Revson e venceu a prova do ano seguinte com Donohue, num chassis aos cuidados da equipe Penske.

Rutherford en 1972, con Patrick (FOTO: Indianapolis Motor Speedway)

Depois de focar em Indianápolis e correr de forma esporádica noutras provas em seus três primeiros anos, desta vez a McLaren teria uma equipe full time na Indy. O já curtido Rutherford era o escalado para a missão, enquanto Revson correria somente em Indy, Michigan e Pocono, já que sua prioridade era correr o campeonato completo da Fórmula 1 pelos papayas.

A marca registrada de 73 seria o aumento descomunal das velocidades, resultado sobretudo da evolução dos carros com o uso de aerofólios – liberados somente no ano anterior. Tudo indicava que, pela primeira vez, a barreira das 200 MPH (320 km/h) seria quebrada em Indy.

Faltou pouco. A pole de Lonestar JR veio com média de 198.183 MPH. Sua melhor volta foi de incríveis, para a época, 199,071 MPH. A classificatória também ficaria marcada pelo acidente fatal de Art Pollard, no treino livre realizado imediatamente antes do Pole Day.

A prova daquele ano seria o retrato do caos e merece algumas linhas para que se explique o motivo. Marcada para a segunda-feira (feriado do Memorial Day nos EUA), teve a largada atrasada em quatro horas por conta da chuva. A bandeira verde não durou muito: no meio do pelotão, Salt Walther tocou rodas com Jerry Grant, levantou voo e capotou. O carro parou de cabeça para baixo, com as pernas de Walther à mostra. A força do impacto partiu o carro e fez com que o combustível atingisse 11 espectadores, dos quais nove foram hospitalizados. Walther, um piloto bem nascido porém não mais do que medíocre, ficou dependente de medicamentos contra a dor pelo resto da vida. E antes que a pista pudesse ser limpa, voltou a chover.

A largada ficaria para o dia seguinte, mas na segunda volta de apresentação, a chuva voltou para não ir mais embora. A prova foi então reagendada para quarta-feira, às nove horas da manhã. Mas o sol tardou a aparecer para secar a pista, de modo que a bandeira verde só foi agitada às duas da tarde. Uma hora depois, Swede Savage bateu na entrada da reta com o carro cheio de combustível após um pit stop. O bólido praticamente explodiu.

Diante do caos, um carro de socorro entrou na contramão pelo pitlane para auxiliar no resgate de Savage, mas atropelou o mecânico Armando Teran quase sobre a linha de chegada, em frente a milhares de expectadores. Teran morreu na hora. Savage faleceria mais de um mês depois. A chuva decretaria o final da desafortunada prova na volta 133, com vitória para Gordon Johncock – companheiro de Savage e que havia disputado as duas edições anteriores justamente pela McLaren. Rutherford, por fim, nem chegou a liderar, já que perdeu a ponta ainda na largada para Bobby Unser.

Pese a lograr la pole, Rutherford finalizó noveno (FOTO: Indianapolis Motor Speedway)

Em 74, as coisas não começaram bem para o time então chefiado por Teddy Mayer. A crise mundial do petróleo fez a USAC encurtar a programação de treinos. A classificatória foi reduzida de quatro para dois dias. Com um motor estourado no Pole Day, Rutherford precisou tentar a sorte no Bump Day, onde garantiu o 25º lugar no grid. Na prova, o cenário foi o oposto: Johnny chegou à liderança já na volta 65, após Bobby Unser e A. J. Foyt, que dominavam até então, sofrerem com péssimos pit stops.

A fumaça no carro de Foyt quando havia acabado de assumir a ponta, na volta 139 e que o levou a abandonar, abriu o caminho para a primeira vitória de Rutherford e da equipe McLaren no Speedway, com confortáveis 22 segundos de vantagem para Uncle Bobby e incríveis 122 voltas lideradas.

Em 75, Unser deu o troco e venceu em cima de Rutherford, em prova encerrada 26 voltas antes do fim em função da chuva. Para o ano seguinte, Rutherford despontaria como favorito desde os treinos. Bateu Johncock e o jovem Tom Sneva para cravar a pole em outra edição ameaçada pela chuva, que atrasou o início do Pole Day. Manteve a ponta na largada mas foi superado logo na terceira volta por Foyt.

Sem nunca deixar o grupo dos cinco primeiros, JR voltou à liderança na volta 39. Foi novamente superado por Foyt na passagem de número 61 até retomar a dianteira, em definitivo, na volta 80, quando o SuperTex passou a sofrer com problemas de dirigibilidade. A batalha entre eles virou um duelo texano, já que Foyt é nascido em Houston e Rutherford, desde criança, estava radicado em Dallas.

A chuva se aproximava perigosamente até que, na volta 100, exatamente na metade da corrida, vieram os primeiros pingos e a bandeira amarela. A chuva apertou na volta 103 e a direção de prova decidiu mostrar a bandeira vermelha. Àquela altura, o relógio marcava 12h45min, horário local. As chances de uma relargada eram consideráveis, mas qualquer tentativa de retomar a corrida foi derrubada por um dilúvio às 15h15min.

Johnny Rutherford (FOTO: Indianapolis Motor Speedway)

Sem tempo para secar a pista e retomar a prova com luz natural ainda naquele dia, a prova mais curta da história de Indy foi dada por encerrada, com apenas 255 de 500 milhas sendo percorridas. Rutherford vencera a batalha caseira contra Foyt e conquistava o bicampeonato para a McLaren, naquela que foi a última das 27 vitórias, um recorde até hoje, de um motor Offenhauser.

Curiosamente, as vitórias da McLaren em Indy vieram nos mesmos anos de seus dois primeiros títulos mundiais de Formula 1, conquistados por Emerson Fittipaldi e James Hunt, respectivamente. Emmo, aliás, testou o carro de Johnny em Indy em 74 e achou aquilo uma loucura, mas esta já é outra história.

De 73 a 76, Lonestar JR ainda empilhou um terceiro lugar e três vices consecutivos no campeonato. A conquista total da América pelo time de origem neozelandesa passou perto. Os bons desempenhos do período não foram repetidos com o novo chassis M24, agora empurrado pelo motor Cosworth. Apesar das oito vitórias e três poles na Indy, de 77 a 79, Rutherford e a McLaren não passariam de um 13º lugar nas 500 Milhas, apesar de mais um terceiro e dois quartos lugares no campeonato.

A venda da equipe para a Project Four de Ron Dennis fez com que 1979 fosse o último ano da equipe McLaren na Indy. Rutherford se bandeou para outro time lendário, a Chaparral de Jim Hall, onde enfim se sagrou campeão e conquistou o tri das 500 Milhas.

Texto: Geferson Kern / colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

Latest Posts

Kiko Porto vence primeira na USF2000 em dia de dobradinha brasileira

Texto: Geferson Kern / colaborador Brasil do...

Herta sigue afilado con su ritmo y dominó los entrenamientos en St Petersburgo

Colton Herta continuó su fuerte forma de...

Sato renueva con Rahal Letterman Lanigan Racing

Rahal Letterman Lanigan Racing anunció este sábado...