lunes, octubre 26, 2020

Desempenho na classificação é o segundo pior da história da Penske em Indianápolis

Texto: Geferson Kern / colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

Dentro e fora das pistas, o nome Penske é sinônimo de sucesso nos EUA e em todo o mundo. Uma reputação que começou a ser construída no automobilismo em 1966 e perdura até hoje. Um dos maiores trunfos da escuderia comandada por Roger Penske é seu currículo nas 500 Milhas de Indianápolis: nada menos do que 18 pole positions e 18 vitórias no Maior Espetáculo das Corridas. Uma prova que o próprio fundador do time diz ser mais importante de vencer do que o campeonato.

Mas em 2020, justamente no ano em que o Capitão assumiu o comando da Fórmula Indy e do Indianapolis Motor Speedway (e, por consequência, da corrida em si), sua equipe vive um momento conturbado na preparação para a corrida: o desempenho obtido pelos pilotos da Penske no treino classificatório para a Indy 500 é o segundo pior da história do time na prova. Superior somente à histórica não classificação de Emerson Fittipaldi e Al Unser Jr., ocorrida em 1995, na última prova antes da cisão CART/IRL – o que levou a Penske a ficar os cinco anos seguintes longe do IMS.

Mesmo com seus currículos estrelados, nenhum dos pilotos da Penske ficou perto de avançar ao Fast 9, segmento que define o pole position da prova. O bicampeão Josef Newgarden foi 13º. Will Power, vencedor em 2018 e campeão da Indy em 2014, se classificou em 22º. Simon Pagenaud, campeão da Indy em 2016 e atual pole position e vencedor da Indy 500, sai em 25º. E Hélio Castroneves, tricampeão da prova e que deve correr pela última vez na categoria pela Penske na Indy 500, larga apenas em 28º. Foi o primeiro Fast 9 da história sem nenhum membro da equipe.

“Estar na segunda página da tabela de classificação não é o que você quer”, resume Castroneves. “Você odeia ter que largar atrás e precisar passar muitos carros e usar a estratégia, mas dá pra fazer isso aqui. Estamos realmente felizes com o carro em ritmo de corrida”, completou, numa síntese do que foi o sentimento de todos os pilotos de sua equipe – e de todas as outras que usam o motor Chevrolet – após o fim de semana de classificação. Que talvez faça sentido: o brasileiro foi o segundo no último treino livre do fim de semana, após o qualify, já com acerto para a corrida.

Pior posição de classificação na história

O 28º tempo de Castroneves é a pior posição de classificação de um carro da equipe Penske na história de Indianápolis. Antes, tal posto cabia a Danny Sullivan e Ryan Briscoe, que se classificaram em 26º lugar para as provas de 1989 e 2011, respectivamente. O 28º posto na grelha de partida também é a pior posição de um vencedor em Indianápolis: foi de lá que Ray Harroun e Louis Meyer partiram quando venceram as edições de 1911 (a primeira da história) e 1936.

Se em 2020 serão três carros Penske do 20º lugar para trás, até hoje apenas sete bólidos do time estiveram em tal situação no grid da Indy 500 em todos os tempos: além de Sullivan e Briscoe, o feito pouco comum havia ocorrido com Rick Mears (largou em 22º em 1981), Paul Tracy (25º em 1994), bem como aos atuais pilotos do time Josef Newgarden e Simon Pagenaud (22º e 23º, respectivamente, em 2017). O último da lista é Al Unser, que largou exatamente em 20º quando conquistou seu tetracampeonato em 1987 – exatamente o feito buscado por Helinho neste ano.

O mau desempenho do time é também o pior desde 2002, quando Castroneves, que venceu a prova, saiu de 13º (mesma posição de Newgarden neste ano) e o então companheiro Gil de Ferran largou uma posição atrás. A performance ruim também reflete em recordes pessoais negativos aos pilotos: até hoje, a pior posição de largada de Pagenaud havia sido o 23º lugar, em 2012 e 2017. Helinho nunca havia saído além do 19º posto, no mesmo ano, quando chegou em segundo. E Will Power jamais havia ficado fora do Fast 9 desde a instituição do atual formato, em 2010. Até hoje.

Um Penske em último no grid

Além do vexame de 25 anos atrás, a Penske teve apenas um caso em que um carro seu largou numa posição inferior à conquistada por seus pilotos neste ano. Foi em 1978, com ninguém menos do que Mario Andretti, que teve de largar em último em um ano no qual corria em tempo integral no Mundial de Fórmula 1 e revezava-se ao longo da temporada, no segundo carro do time na Indy, com um jovem talento americano da época, um certo Rick Mears.

Na Indy 500 daquele ano, a classificação era disputada ao longo de duas semanas. A chuva incessante, porém, fez com que o primeiro fim de semana de treinos oficiais fosse cancelado. Com isso, a classificação ficou toda concentrada no fim de semana seguinte, quando Andretti precisaria estar na Bélgica para a disputa do GP de Zolder de Fórmula 1. A solução foi escalar o reserva Mike Hiss, que colocou o carro do ítalo-americano num bom 8º lugar na tabela de tempos.

Com a substituição de Hiss por Andretti para a corrida, porém, o pai de Michael e avô de Marco teve de seguir as regras e largar na 33ª e última posição do grid. Sua prova não foi um grande sucesso: chegou em 12º lugar. Mas ele não pode reclamar de falta de êxito na temporada: naquele ano, Andretti conquistou seu único título mundial de Fórmula 1 no famoso carro-asa da Lotus. É o tipo de reviravolta que o quarteto deste ano espera ter na prova do próximo dia 23.

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