martes, octubre 20, 2020

Em repetição de 2017, Sato supera dominante Dixon e é bicampeão da Indy 500

Texto: Geferson Kern / colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

O filme de 2017 se repetiu. Como naquele ano, Fernando Alonso, consagrado como bicampeão mundial de Fórmula 1, chegou a Indianápolis como uma das estrelas da prova, em busca da Tríplice Coroa. Como naquele ano, um sujeito bem menos badalado no automobilismo do planeta – e que chegou a competir com ele na categoria de origem européia – roubou a cena, ofuscou o espanhol e bebeu o leite no círculo da vitória: é o japonês Takuma Sato, que superou o dominante Scott Dixon para conquistar seu bicampeonato nas 500 Milhas de Indianápolis.

Sato conquistou também a segunda vitória da equipe Rahal-Letterman-Lanigan em Indianápolis. Ele saiu em terceiro no grid – a última vez em que o time comandado por Bobby Rahal, vencedor da prova em 1986, havia estado em tal posição, foi exatamente em 2004, quando Buddy Rice largou na pole position e venceu a Indy 500 para a escuderia pela primeira vez. Ele foi seguido por Dixon e pelo companheiro Graham Rahal. Santino Ferrucci da Dale Coyne e Josef Newgarden da Penske fecharam o Top-5 deste domingo (23).

A vitória do japonês foi assegurada a seis voltas do final, curiosamente, por um acidente provocado por seu outro companheiro de equipe, Spencer Pigot, que escapou na curva 4 e bateu na quina do pitwall. O americano, porém, deixou o carro consciente. Os danos provocados ao muro dos boxes e a proximidade com a quadriculada, no entanto, fizeram as últimas voltas serem percorridas em bandeira amarela. E Sato recebeu a bandeirada para seu segundo triunfo em Indianápolis atrás do Pace Car, que levará para casa como parte da premiação pela vitória.

A primeira metade

Festejado pela primeira pole de sua família para a prova em 33 anos, Marco Andretti só teve motivos para comemorar neste domingo na volta de apresentação, quando o carro de dois lugares, costumeiramente pilotado pelo avô Mario, ainda levou o pai de um e filho de outro, Michael, na carona – no que foi a primeira vez que o pelotão da prova foi comandado por três gerações distintas da mesma família. Na largada, porém, Marco foi superado pelo segundo colocado Scott Dixon – e, em que pese ter largado na pole, terminou a prova sem uma volta sequer liderada.

A primeira bandeira amarela veio logo na quarta volta, quando labaredas de fogo surgiram na roda dianteira direita do carro de James Davison. O que levou um pelotão de candidatos à vitória que largaram no fundo do grid, como três dos quatro pilotos da Penske (Will Power, Simon Pagenaud e Hélio Castroneves) e Fernando Alonso aos boxes em busca de uma estratégia diferente. Que chegou a funcionar, quando os líderes procuraram os boxes na segunda bandeira amarela, provocada por uma acidente de Marcus Ericsson, na volta 24. Pagenaud liderou o pelotão que surgiu na ponta, mas ficou nisso.

A próxima intervenção do Pace Car, na volta 82, seria decisiva para anular a tática articulada até ali em especial pela Penske e Oliver Askew, companheiro de McLaren de Alonso – que já havia trocado de estratégia para tentar sair do pelotão, algo que ele jamais conseguiria na prova. A amarela, provocada pela batida do novato Dalton Kellett, veio quando os competidores em estratégia alternativa estavam uma volta atrás do pelotão de líderes, comandado por Dixon. Assim, o neozelandês, acompanhado de Alexander Rossi e Takuma Sato, pode parar nos boxes e ainda voltar à frente dos rivais que buscam a vitória por um caminho alternativo.

Com as estratégias equalizadas, Dixon manteve seu reinado, escoltado pelos campeões das provas de 2016 e 2017, respectivamente, as últimas vencidas pela Andretti, que foi uma das grandes decepções desta Indy 500: depois do dominante desempenho nos treinos, o time viu uma queda de desempenho de seus pilotos – com exceção do pole Marco Andretti – no Fast 9. Na corrida, apenas Rossi esteve em condição de disputar a vitória. Ryan-Hunter Reay e James Hinchcliffe, que largaram na segunda fila, em momento algum foram candidatos reais a vencer a corrida.

O último ato notório da primeira metade da prova veio na relargada seguinte: Conor Daly escapou de traseira ao acelerar na saída da curva 4 e rodou. Oliver Askew, da McLaren, que vinha em meio ao trio com paradas alternativas da Penske, também perdeu o controle ao tentar desviar e bateu com violência no muro interno. Ambos nada sofreram. A batida de Daly corroborou com o péssimo dia da equipe Ed Carpenter – o dono do time ficou fora da briga logo na segunda volta, quando tocou o muro ao ser espremido por Zach Veach. Já Rinus VeeKay, novato mais rápido da classificação, saiu das primeiras posições ao errar nos boxes e quase atropelar seus mecânicos.

As últimas 100 voltas

Um espanhol foi notado de uma forma diferente da que desejava na primeira parte da metade final da corrida. Não era Alonso, que continuava envolto em problemas com seu McLaren, mas Alex Palou, que encontrou o muro e provocou uma amarela que seria decisiva para os rumos da prova: nos boxes, Rossi foi liberado pela equipe de forma considerada insegura pela direção de prova e tocou o carro de Sato. Os carros de Rossi e Sato nada sofreram com o toque, mas o americano foi punido e teve de relargar do fim do pelotão. Era o início do fim da prova para ele.

Na frente, Felix Rosenqvist apareceu na liderança em uma tática extrema da Chip Ganassi, que decidiu mantê-lo na pista em estratégia que visava fazer o sueco chegar até o fim da prova com uma parada a menos. Dixon liderava o pelotão dentre os que seguiam estratégias normais, seguido de Pato O’Ward, este sim com uma performance competitiva com a McLaren, com Sato logo atrás. Na relargada, o neozelandês superou o companheiro de equipe com facilidade para manter o domínio que exercia até então.

Rossi, reconhecido como um dos pilotos que melhor ultrapassa e supera as dificuldades de falta de aderência dos carros em meio à turbulência, tentava galgar posições no fim do pelotão. Mas o sonho do bicampeonato acabou para o americano na volta 143, quando sofreu o penúltimo acidente do dia. Foi a primeira vez que o piloto da Andretti ficou fora do Top-10 da prova em sua trajetória na Indy 500, iniciada por uma vitória logo na estreia, justamente na 100ª edição do Maior Espetáculo das Corridas.

Os líderes permaneceram na pista em busca de economizar combustível durante a bandeira amarela para fazer apenas mais um pit stop, por volta da 170ª passagem – cada stint durava, em média, 30 voltas. Quando a bandeira verde apareceu, Dixon foi superado por Sato, como já havia sido por Rossi anteriormente. Parecia uma tática do pentacampeão da Fórmula Indy, a de ficar em segundo lugar, no vácuo do líder, para poupar combustível e se manter na disputa da ponta ao se revezar com outro competidor na liderança. O neozelandês chegou a recuperar a dianteira, mas pela última vez.

Na última rodada de pit stops, Sato parou na volta 168 junto com Newgarden, o único Penske que passou o dia em estratégias de box tradicionais e era o 3º no momento do pit stop. Dixon procurou os pits no giro seguinte, acompanhado de Graham Rahal, 4º até então e que comprovava o bom acerto dos carros do time comandado pelo pai para a prova deste ano. Sato e Newgarden voltaram entre Dixon e Rahal. O japonês não demorou a superar Dixon, que parecia permitir ao rival liderar para atacar na hora H. Parecia.

Pois Takuma foi impecável nas últimas 30 voltas. Manteve a vantagem para o neozelandês regularmente na casa de um segundo. Foi corajoso e preciso para negociar com os retardatários. Não se revezou na ponta. Parecia disposto a não perdê-la. Nunca mais. E de fato não a perdeu: a bandeira amarela causada por Pigot sacramentou seu bicampeonato. Aos 43 anos, parece mais rápido do que nunca em Indianápolis. E com energia e velocidade suficientes para estampar o próprio rosto mais e mais vezes no troféu Borg-Warner.

Os brasileiros e Alonso

Ambos vindos do fundo do pelotão, Tony Kanaan e Hélio Castroneves chegaram a dar esperanças de que poderiam entrar na briga pela vitória no momento decisivo da prova, a 50 voltas do fim. Mas as expectativas foram frustradas. Kanaan, com a Foyt, chegou a se colocar num bom oitavo lugar, mas seu desempenho despencou no último pit stop, quando ainda figurava no Top-10. Foi o último retardatário superado por Takuma Sato antes da bandeirada e fechou apenas em 19º, uma volta atrás do líder.

Já Castroneves chegou à última janela de pit stops com cinco voltas a mais de autonomia do que os adversários. No entanto, não houve bandeira amarela salvadora ou qualquer outro fator que o ajudasse. No fim, o 11º lugar, posição que o fez ser o segundo melhor Penske da prova (três posições à frente de Will Power e 11 à frente de Pagenaud, que precisou um pit stop extra ao quebrar a asa dianteira em toque com Ryan Hunter-Reay), soou como um bom resultado diante de todos os problemas e de alguém que largou em 28º, na prova que pode ter marcado sua despedida na Indy do time que defende há 20 anos.

E Alonso? O espanhol terminou a prova como começou: no fundo. Sem chamar a atenção. Fechou em 21º, uma volta atrás. Seu desempenho despencou desde que bateu no segundo dia de treinos. Esteve muito aquém de seus companheiros, tanto Askew quanto O’Ward, ambos novatos – Pato, por sinal, fechou em sexto e foi o melhor estreante da corrida. Fernando já adiantou que, de volta à Fórmula 1 pela Renault em 2021 e 2022, não voltará a Indianápolis ao menos nestes dois anos, por conflitos de agenda e interesses. Pode ter sido sua tentativa derradeira de conquistar a Tríplice Coroa. E se foi, não chegou nem perto de conseguir o feito até hoje obtido apenas por Graham Hill.

O próximo encontro da Fórmula Indy é com uma rodada dupla no próximo sábado (29) e domingo (30), em outro circuito oval, em Gateway. Sem Alonso e Castroneves, mas com Kanaan, que disputará, possivelmente, suas últimas provas na temporada. E com Takuma Sato, agora um dos únicos 20 homens na história a conquistar dois ou mais anéis de vencedor das 500 Milhas de Indianápolis e o décimo membro do atual clube dos bicampeões da corrida.

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