jueves, octubre 22, 2020

Especial Indy 500: A edição dos recordes de velocidade, acidentes, temperatura e da chegada mais apertada

Faltam 13 dias para as 500 Milhas de Indianápolis. Treze foi o número de carros eliminados em acidentes na edição de 1992 da prova, uma das mais repletas de batidas – em quantidade e intensidade – da história recente do Speedway. E que por uma série de outros motivos se tornou um clássico imediato da história da corrida.

Os indicativos de que as velocidades seriam insanas naquela prova ficaram claros ainda em março, quando Roberto Guerrero se tornou o primeiro homem a andar na casa de 230 MPH (370 km /h) num teste. Que, por sinal, contou também com a presença do IROC, antigo campeonato com stock cars que reunia pilotos de diversas categorias prestigiadas. A administração do autódromo já monitorava a possibilidade de promover uma prova do tipo lá, o que se consolidou com a edição inaugural da Brickyard 400, da Nascar, em 1994.

Iniciado o mês de maio, diversos nomes que se tornariam conhecidos no meio Indy confirmaram presença para a corrida, vide Paul Tracy, Jimmy Vasser e Lyn St. James, que acabaria a prova escolhida como a melhor estreante. O cast era completado por nada menos do que o tricampeão mundial Nelson Piquet, que havia se aposentado da Fórmula 1 no final do ano anterior, bem como outros dez ex-campeões da prova, dos quais nada menos do que quatro fizeram suas participações derradeiras nas 500 Milhas. Nomes do quilate de Gordon Johncock, Tom Sneva, Rick Mears e A. J. Foyt. Foi ainda a última tentativa de Johnny Rutherford, que a exemplo de 89 e 90, não conseguiu classificação.

Na temporada que marcava o retorno à Indy da Ford, que tinha como principal equipe a Newman-Haas – com o atual campeão Michael e o lendário pai Mario Andretti ao volante -, quem voava em Indy eram os carros de motores Buick. Que equipavam os bólidos da King Racing, do supracitado Guerrero e de Jim Crawford, bem como os da equipe Menard, onde estava Piquet. Os propulsores stock block eram conhecidos pela baixa durabilidade e potência – resultado de a Indy 500 ser sancionada pela USAC, cujas regras permitiam mais pressão de turbo a estes motores para que se tornassem competitivos.

Já no terceiro dia, Piquet ganhava confiança e virava a 226 MPH (363 km/h), enquanto Crawford voava a 233 MPH (374 km/h). No quinto dia, o primeiro acidente espantoso do Mês de Maio: Rick Mears perdeu o controle na saída da curva 2 e capotou até seu Penske-Chevrolet parar de cabeça para baixo, o que lhe custou lesões no pé e no pulso. No dia seguinte, uma pancada ainda maior: o famoso e infame acidente de Nelson Piquet. O Lola-Buick escapou de traseira na curva 4 e o brasileiro, inexperiente em ovais, tentou corrigir. O carro foi de frente para o muro. Além de lesões mais leves em pulsos, cotovelos e mãos, Nelsão fraturou tornozelo e pé esquerdos – do qual disse não ter quebrado apenas os dedos -, lesionou o joelho direito e perdeu um pedaço de um dedo do pé direito. Piquet ainda andava de muletas no ano seguinte, quando retornou a Indianápolis e enfim disputou a prova.

Mais tarde, outro acidente, o pior do mês: o novato filipino Jovy Marcelo bateu na curva 1 a uma velocidade estimada de 172 MPH (276km/h) e perdeu a vida devido à fratura sofrido na base do crânio. Aos 27 anos, deixou a esposa grávida e um filho pequeno. Foi a primeira morte no Speedway desde o falecimento de Gordon Smiley, em 1982.

Nas classificatórias, Roberto Guerrero confirmou o favoritismo dos Buick e cravou a pole com média de 232 MPH (373 km/h), a maior da história da prova e a segunda maior da história – somente superada pela imbatível edição de 1996. Na rabeira do grid, o rookie Jimmy Vasser e os ex-campeões Sneva e Johncock obtiveram vaga no apagar das luzes. O grid foi definido a apenas seis minutos das 18h, horário de encerramento do Bump Day, quando o novato Ted Prappas bumpou do grid Scott Goodyear, que sofria com um problema de pressão do óleo, por 89 milésimos. A equipe do canadense, a Walker, possuía outro carro no grid: o do americano Mike Groff, que após duas temporadas por Euromotorsport e Foyt, havia um acordo somente para aquela prova. Como em Indy a vaga é do carro e não do piloto, a equipe resolveu sacar Groff e colocar Goodyear no grid, que vinha de um nono lugar em Surfer’s Paradise e um quinto em Phoenix. A decisão derrubou o Lola de 1991 do 26º para o última lugar na grelha de largada.

Quando amanheceu para o dia da prova, em 24 de maio, o susto: a temperatura era de apenas nove graus, com ventos de até 37 km/h. Estávamos diante das 500 Milhas mais frias da história. E o frio se manifestou já na volta de apresentação: numa acelerada brusca para aquecer os pneus, o pole Roberto Guerrero rodou na reta oposta e bateu no muro interno. O choque danificou a suspensão o suficiente para alijá-lo da prova antes mesmo que ela começasse. Situação parecida viveu o rookie Philippe Gache. Sobrou para o segundo colocado Eddie Cheever, da Chip Ganassi, comandar o grid ao lado do decano Mario Andretti.

Quando veio a bandeira verde, cinco minutos mais tarde, Michael Andretti tomou a ponta. Na volta 60, levava meio minuto de vantagem, enquanto míseros três carros estavam na volta do líder. Um massacre. O passeio de Andrettinho foi interrompido por um massacre de incidentes e bandeiras amarelas. Entre os casos mais notáveis, Jim Crawford atingiu Rick Mears, o que fez Emerson Fittipaldi, atrás, perder o controle e também bater. Os carros dos dois titulares da Penske, que vinham num mês discreto, saíam da prova ao mesmo tempo. Mario Andretti também bateu na curva 4 e foi ao hospital com os dedos quebrados. Paul Tracy e Scott Brayton também tiveram motores estourados, enquanto Jimmy Vasser e o desconhecido novato Brian Bonner também batiam. Depois, Jeff Andretti destruiria a frente do seu carro na curva. O resgate demorou 18 minutos para conseguir tirá-lo do carro e levá-lo ao hospital com graves fraturas nas pernas.

Enquanto seu pai e seu irmão mais novo iam ao hospital acidentados, Michael Andretti ainda liderava. Entre as voltas 62 e 122, apenas nove foram disputadas em bandeira verde. Este trecho de meras 60 voltas demorou quase 90 minutos para ser disputado.

Com tamanha confusão, as primeiras posições tinham equipes inusitadas. Atrás de Andretti, vinham os companheiros Cheever e Arie Luyendyk, da então jovem Chip Ganassi. Depois o sempre favorito Al Unser Jr., da Galles, seguido do pai Al Unser, escalado pela Menard para substituir Nelson Piquet. Goodyear, da pequena Walker, já era o sexto. A temperatura havia subido para 11 graus e os problemas continuavam: com 50 voltas para o final, restavam somente 15 carros na prova. E apenas cinco estavam na volta do líder.

Na volta 189, Michael Andretti levava quase meio minuto de vantagem para Unser Jr. e Goodyear, que disputavam a segunda posição e eram os únicos ainda na volta do líder. De repente, o Lola-Ford #1 surgia lento na reta. A bomba de combustível havia falhado. Era o fim do dia para o então campeão, que parecia caminhar para uma vitória fácil após 160 voltas lideradas.

Veio a bandeira amarela e, nas últimas sete voltas, Goodyear protagonizou uma perseguição insana a Al Unser Jr. Na última curva, o canadense embutiu na traseira de Little Al. Entrou na reta em zigue-zague atrás em busca do vácuo. Quando se aproximou o suficiente, mergulhou e colocou o bico do carro ao lado do rival. Mas seria preciso mais 500 metros de prova para consolidar a ultrapassagem. Não deu: Al Unser Jr. enfim vencia pela primeira vez em Indianápolis e quebrava a desconfiança sob o chassis Galmer, o carro próprio construído pelo time de Rick Galles para aquela temporada. A diferença fora a menor da história de Indy, meros 43 milésimos. Ainda por cima, o pai Al Unser, que outra vez começara o mês sem carro, terminou em terceiro e foi o primeiro na história a concluir a prova com um carro de motor Buick.

A saraivada de acidentes e hospitalizados forçou mudanças na pista: em 1993, as curvas ficaram mais estreitas. A parte abaixo da linha interna tornou-se saída de box ou pista de rolamento, o que reduziu as possibilidades de traçado e, por consequência, as velocidades. Os carros também ficaram bem mais lentos: a pole, no ano seguinte, ficaria em 223 MPH (358 km/h), consideráveis 9 MPH abaixo do mais rápido de 92.

Texto: Geferson Kern / colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

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