jueves, octubre 29, 2020

Especial Indy 500: A fantástica história do Spin and Win (ou A Maldição da Bola 8)

Texto: Geferson Kern / colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

Faltam 08 dias para as 500 Milhas de Indianápolis. Houve um tempo em que a oitava posição do grid em Indy era conhecida como o Lugar da Bola 8, numa alusão clara à bola crucial do jogo de bilhar. Afinal, por 73 anos, nunca alguém havia conseguido vencer largando desta nada ruim posição do grid. Somente o improvável poderia mudar esta história. E em se tratando de Indianápolis, é claro que ele aconteceu.

Depois de vencer a prova de 1984 com duas voltas de vantagem para o segundo colocado, Roberto Guerrero, Rick Mears, já um tricampeão da Cart, era um dos pesos pesados da categoria. Um acidente no trioval canadense de Sanair no fim daquele ano, porém, limitou suas condições físicas de competir. Abria-se uma vaga dourada para quem almejava disputar vitórias na categoria. A escolha recaiu sobre Danny Sullivan, um já experiente piloto americano que havia construído sua carreira na Europa, tendo disputado a temporada 1983 do Mundial de Fórmula 1 pela Tyrrell e feito uma ótima temporada de estreia na principal série americana de monopostos em 84, com três vitórias e um quarto lugar no campeonato pela Doug Shierson.

Sullivan dividiria os boxes da Penske com Al Unser. Mears, após quebrar o pé esquerdo em Sanair, tinha muitas dificuldades em utilizar a embreagem, o que limitou sua participação às provas de Indy, Milwaukee, Michigan e Pocono, que quase não exigiam trocas de marchas e, por consequência, o uso do pé lesionado. A prova de Indianápolis de 1985, portanto, marcaria o retorno de Rocket Rick após o acidente. Os holofotes estavam sobre o atual campeão, mas rapidamente voltavam-se a dois pilotos bem menos badalados: Pancho Carter e Scott Brayton, os dois únicos do grid cujos chassis, fornecidos pela March, eram equipados pelos potentes motores Buick V6 stock block. No Pole Day, Brayton estabeleceu novo recorde para uma volta, enquanto numa situação rara e inusitada, Carter cravou o novo recorde da média das quatro voltas rápidas do qualify – e levou a pole. O badalado Mears largaria em décimo. Na fila à frente, seus dois companheiros de equipe: Unser cravou o sétimo tempo, enquanto Sullivan, o novato da casa, teria de largar na indigesta oitava colocação.

A alegria dos Buick não durou quase nada. Pancho Carter abandonou na sexta volta com um vazamento de óleo sem nem ao menos liderar, já que Bobby Rahal, terceiro no grid, tomou a ponta na largada. Brayton ainda conseguiu pontear a 15ª passagem, mas foi para a casa quatro voltas depois com um problema no turbo. Mario Andretti e Emerson Fittipaldi, que largaram na segunda fila, rapidamente tomaram as rédeas da prova e iniciaram um revezamento na primeira posição. Sullivan era um dos raros que conseguia acompanhar o ritmo da dupla, tendo sentido o gosto da liderança pela primeira vez na carreira em Indy entre as voltas 52 e 57. Tom Sneva, pole do ano anterior e um dos únicos cinco carros de motor Chevy do grid – a terceira fornecedora era a Cosworth, que equipava nada menos do que 26 bólidos – juntaria-se a eles na metade da prova.

Na volta 120, Andretti liderava seguido de perto por Sullivan, que foi chamado pela equipe no rádio. Sem entender a mensagem, o piloto do carro patrocinado pela cervejaria Miller pensou estar sendo avisado de que faltavam somente 12 voltas para o final. Danny não teve dúvidas: partiu enlouquecido para cima do piloto da jovem equipe Newman-Haas. Mergulhou para ultrapassar na curva 1, mas foi espremido por Andretti de modo a ser obrigado a colocar duas rodas abaixo da linha amarela por onde os carros deixavam os boxes. Seu March saiu de traseira e girou 360º graus na frente de Andretti, que freou com força e trouxe seu Lola para a linha de dentro para não bater. Ele já havia passado por situação similar dois antes, quando Johnny Parsons rodou na sua frente no mesmo ponto. Naquela ocasião, porém, Mario não pode evitar a batida. Desta vez, ele escapava ileso.

E Sullivan também.

Quando seu carro enfim parou de girar e a fumaça diminuiu, Sullivan enxergou a curva 2. Parecia um milagre, mas ele não havia batido – e o motor ainda estava em funcionamento. O rádio chamou novamente. Desta vez, ele entendeu a mensagem que vinha do manager da Penske, Derrick Walker: bandeira amarela. «Eu sei», ele respondeu. «Foi por minha causa, mas o carro está OK. Estou indo». A reação do público foi aquilo que, tipicamente, as transmissões americanas classificam como «the crowd is roaring!». Rodar de forma tão espetacular numa briga pela liderança e evitar o contato com o carro ultrapassado e, sobretudo, com o sempre temido muro de Indianápolis, já havia sido um feito e tanto. Algo que Danny classificaria como metade sorte, metade habilidade.

O Pace Car veio para a pista e tanto Sullivan quanto Andretti foram aos boxes para reabastecer e trocar pneus. Fittipaldi chegou a assumir a ponta por duas voltas, mas Mario, que havia conquistado o tetracampeonato da Indy em 84, rapidamente voltou à ponta. Sneva era o segundo e Sullivan já vinha logo atrás. Na relargada, Howdy Holmes tocou em Rich Vogler, que acertou o muro na curva 1, logo em frente aos líderes. Outra vez, Andretti precisou escapar da colisão – e assim o fez. Sneva, porém, travou os pneus logo na frente de Sullivan – agora em posição de desviar de um carro fora de controle, o que realizou com sucesso – e foi para o muro. Nova bandeira amarela. Andretti e Sullivan voltaram a figurar nas duas primeiras posições.

Na volta 140, com a prova outra vez em andamento, Sullivan novamente se aproximou de Andretti no final da reta principal. Deu o bote outra vez na curva 1. Desta vez, sem incidentes. Assumiria ali a ponta para não mais perdê-la – ainda que numa relargada a três voltas do final, tenha precisado resistir aos ataques de Mario, que não conseguiu recuperar a ponta e viu se esvair, em suas próprias palavras, sua melhor chance de vencer a prova desde sua única conquista, no já distante ano de 1969. Anos mais tarde, Sullivan contaria que Mario e ele eram como melhores amigos, mas a frustração do pai de Michael foi tamanha após a derrota que eles ficaram sem se falar por quase um ano.

A reabilitação inacreditável de Sullivan ficou conhecida para sempre como Spin and Win (rodar e vencer, em tradução livre). Foi a quinta vitória de Roger Penske em Indianápolis, o que o colocou ao lado de Lou Moore como o chefe de equipe com mais conquistas das 500 Milhas na história. E Danny Sullivan, que seria campeão da Indy pela Penske em 88, provava ter sido uma escolha mais do que acertada para substituir alguém do quilate de Rick Mears.

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