martes, octubre 20, 2020

Especial Indy 500: As 500 Milhas que tiveram menos de 500 milhas (e todo mundo já sabia de antemão)

Faltam 16 dias para as 500 Milhas de Indianápolis. Um número que aparece em situações deveras distintas no calendário da prova: se coube a 2016 receber a centésima edição, celebrada e festejada com pompa, glória e ingressos esgotados, o ano de 1916, com a Primeira Guerra Mundial em pleno andamento, marcou a primeira e única vez que as 500 Milhas de Indianápolis não tiveram 500 Milhas – de forma premeditada.

O baixo grid – resultante da dificuldade para que os europeus participassem, justamente em função da guerra – e a tentativa de tornar a prova mais atrativa ao público foram as justificativas da administração do circuito para a única Indianapolis International Sweepstakes 300-Mile Race (nome oficial da prova) da história. Para fins históricos, no entanto, esta é considerada uma edição normal da corrida como todas as outras.

A situação era desfavorável de tal forma que a própria organização construiu e colocou no grid três carros por conta própria. Os bólidos, intitulados Premiers, eram nada mais do que cópias dos Peugeot existentes à época. Nem isso, no entanto, impediu que a corrida tivesse o menor grid da sua história, com apenas 21 carros, dos quais sete foram alinhados pela própria direção do autódromo ou seus proprietários.

A prova marcou a última participação de Eddie Rickenbacker como piloto. O competidor, que liderou as nove primeiras voltas antes de abandonar, se tornaria notório como o piloto americano de maior sucesso na Primeira Guerra, com 26 vitórias aéreas no combate. De volta do combate, fundou sua própria companhia automotiva, que levava seu sobrenome. Em 1928, adquiriria o próprio Indianápolis Motor Speedway, do qual seria proprietário até 1945, quando ao final de outra guerra, vendeu o complexo para o empresário Tony Hulman – patriarca da dinastia que comandou o IMS até 2019, quando o complexo foi vendido a Roger Penske.

Apesar das dificuldades com os europeus, a vitória ficou nas mãos de um representante do velho mundo: Dario Resta, um italiano nascido na Inglaterra – e que corria sob bandeira inglesa – levou o primeiro lugar ao liderar 103 das míseras 120 voltas programadas, a bordo de um Peugeot. No entanto, ele já havia chegado aos EUA um ano antes, quando casou com Mary Wishart, filha do investidor de Wall Street, George Wishart, e irmã de Spencer Wishart, que havia sido o segundo em Indy na prova de 1913 e morrido um ano depois numa corrida em estradas. 

Resta, mesmo vindo da Europa, possuía experiência num tipo de circuito parecido: já havia disputado provas no ultra-inclinado circuito inglês de Brooklands. A vitória veio com o mecânico Bob Dahnke também a bordo do carro campeão, uma exigência da organização para aquele ano.

Para 1917, já estava programado o retorno da prova de Indianápolis para 500 Milhas de duração, mas a escalada bélica no planeta não deixou. Neste ano, outra prova foi realizada na tradicional data de Indianápolis, o feriado de Memorial Day. A corrida, de 250 milhas, ocorreu no Cincinatti Motor Speedway, em um board oval (pistas cujo pavimento era formado por pranchas de madeira) de duas milhas de duração, com curvas de 17 graus de inclinação (quase o dobro de Indianápolis) e capacidade para receber 65 mil pessoas. A prova, vencida pelo suíço Louis Chevrolet – co-fundador da montadora que leva seu sobrenome -, foi articulada por Carl G. Fisher, presidente justamente de Indianápolis. O empresário, que já havia ameaçado transferir a corrida para a cidade em Ohio em 1916, estava insatisfeito com os preços da rede hoteleira de Indiana na época da prova, os quais considerava abusivos.

A ideia, no entanto, não vingou. Em 1919, a pista de Cincinatti fechou as portas, a corrida voltou a ser disputada, passou novamente a ter 500 Milhas e nunca mais correu qualquer risco de sair de Indianápolis – que, nos dois beligerantes anos em que não recebeu a corrida, serviu como pista e ponto de abastecimento e manutenção de aviões militares.

Texto: Geferson Kern / colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

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