jueves, octubre 29, 2020

Especial Indy 500: “Bateu, Al Unser!”, a epopeia da primeira vitória brasileira em Indianápolis

Faltam 20 dias para as 500 Milhas de Indianápolis. O carro #20 venceu esta prova, três vezes, todas pela equipe Patrick. A última vitória, a única da trinca a não ter sido conquistada por Gordon Johncock, faz 31 anos. E, para nós brasileiros, que vitória.

Era 1989 e Pat Patrick, fundador e dono do time, estava decidido a se aposentar da Indy. A estrutura da equipe estava destinada a parar nas mãos de seu sócio minoritário, um piloto há pouco aposentado chamado Floyd Ganassi Jr., mais conhecido pelo apelido Chip. Dois dos bens mais valiosos, porém, iriam para a Penske: Emerson Fittipaldi e o patrocínio da Philip Morris, que no carro do brasileiro estampava a marca de seus cigarros Marlboro. Carro este que foi provido pelo Capitão Roger com chassis da própria Penske, os mesmos que faturaram as 500 Milhas e o campeonato anterior com Rick Mears e Danny Sullivan, respectivamente.

Os chassis Penske eram nitidamente melhores do que os March e Lola. Em Indy, isso ficou claro nos treinos. Mears conquistou sua quinta pole position e se tornou o maior polesitter da história da prova, com cinco primeiros lugares – ampliaria em 1991 esse recorde, que perdura até hoje. Ao seu lado, largaria o companheiro de equipe Al Unser, o pai, às vésperas de completar 50 anos, com um carro com as cores da Marlboro idêntico ao de Emerson, que fechava a primeira fila.

Na largada, o já bicampeão mundial de Fórmula 1 assumiu a ponta sem tomar conhecimento do duo experimentado que saía ao seu lado. O que se seguiu aí foi, para estabelecer metáfora familiar ao fã brasileiro, um roteiro similar ao do GP do Brasil de Fórmula 1 de 2008, aquele em que Felipe Massa foi campeão por 30 segundos: uma prova de emoções nem tão latentes, mas com um final enlouquecedor.

Nas primeiras 400 milhas de prova, só deu Emerson, que liderou 128 das 165 primeiras voltas – ele fecharia aquele domingo de 28 de maio com 158 de 200 giros liderados. As coisas passariam a mudar com cerca de vinte voltas (ou 50 milhas) para o final, quando a bandeira amarela foi acionada e Fittipaldi foi aos boxes abastecer. Al Unser Jr., que vinha em segundo com larga desvantagem, não parou. 

A ordem do chefe de equipe Rick Gales tinha um raciocínio simples: ainda que Little Al estivesse no limite do combustível e sofresse uma pane seca, ele terminaria a prova no mesmo segundo lugar que já estava, pois o terceiro colocado àquela altura (Raul Boesel, com o famoso carro da Domino’s Pizza da equipe Doug Shierson) possuía SEIS voltas de desvantagem para os líderes, numa prova implacável com os equipamentos.

Comenta-se ainda que, no último pit stop de Emerson, a equipe Patrick, na ansiedade de vencer a prova, colocou mais combustível do que deveria no carro, o que fez o bólido perder tempo por estar mais pesado, condição que seria útil no momento decisivo da corrida.

Veio a relargada na volta 185 e Fittipaldi não teve dificuldades em abrir 3s para Unser. Oito voltas depois, porém, a vantagem despencou. Preso em meio ao tráfego, Emerson foi ultrapassado na volta 196. O clima de decepção da histórica narração de Luciano do Valle, na Band, resumia bem o momento. A aguardada vitória na maior prova do mundo parecia escorrer por entre os dedos do brasileiro, depois de um dia de domínio avassalador.

Mas, afinal, estamos falando justamente disso: da maior prova do mundo. E Indianápolis tinha decidido que escreveria uma boa história naquele ano.

Dez meses antes das 500 Milhas de 89, a dupla que agora se digladiava pela vitória havia se encontrado em posição similar, no bem mais cotidiano GP de Meadowlands. Emerson liderava, mas Al não aliviou ao mergulhar por dentro numa tentativa de ultrapassagem. O americano completou a manobra e partiu para vitória, enquanto o filho do eterno barão Wilson Fittipaldi acabou no muro e reclamou que o rival estava sendo agressivo demais.

Dito isto, voltamos.

De posse da liderança, Al Jr. também se viu encalacrado em meio a um batalhão de retardatários. Apenas duas voltas após tomar a ponta, sentiu o bafo do Penske de Emmo no cangote de seu Lola, ambos de motor Chevrolet. Na reta oposta, Emerson buscou o vácuo. Nas cabines, Luciano do Valle elevava o tom de voz. O lendário narrador urrava como se pudesse empurrar o carro #20 com a potência da garganta. Unser trouxe o carro para a linha de dentro, mas Fittipaldi continuava ali. E ali se mantinha para o contorno da curva 3. Al, por cima, estava menos de meio carro à frente. De repente, o toque. O encontro. O grito ao microfone.

«BATEU, AL UNSER!»

O carro de Little Al saiu rodando até encontrar o muro. O de Emerson quase atravessou, mas o brasileiro conseguiu alinhar a máquina e colocá-la outra vez nos trilhos. Possível fruto do maior peso pelo suposto combustível extra adicionado equivocadamente. As câmeras, que focavam a euforia de Teresa Fittipaldi e o desespero de Shelley Unser, logo mostrariam o gesto entre o aplauso e a indignação de Al. E a chegada de Emmo ao Victory Lane.

Há trinta e um anos, com contornos épicos, o carro #20 e a Patrick venciam pela última vez. Emerson Fittipaldi e o Brasil, pela primeira. O resto é história. Uma das maiores das tantas e fabulosas que só poderiam ter acontecido em Indianápolis.

Texto: Geferson Kern / colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

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