jueves, octubre 22, 2020

Especial Indy 500: Dois canadenses e um Pace Car, uma história de sorrisos e lágrimas

Faltam 24 dias para as 500 Milhas de Indianápolis. Na última 500 antes da cisão entre CART e IRL, o carro 24 ficou perto demais de vencer, numa situação inusitada que um Goodyear poderia ter trazido a glória para a Firestone. E que o Pace Car foi simplesmente ignorado em momentos chaves da prova por dois pilotos canadenses, cujas histórias se cruzariam no final. Um daqueles contos difíceis de acreditar não fossem parte da mítica da Fórmula Indy e sua casa.

Sim: 1995 é a famosa prova em que a Penske não conseguiu se classificar para o grid – uma história já contada à exaustão. As coisas andavam tão estranhas naquele ano que a primeira fila foi toda formada por carros designados a correr somente a maior prova do calendário. A Menard fez dobradinha no grid, com um par de Lola-Buicks pilotados por Scott Brayton e Arie Luyendyk, respectivamente. O terceiro carro era de Scott Goodyear, da Tasman, único time full time do grid com motores Honda – os mesmos que Bobby Rahal abandonou um ano antes para não correr riscos de não se classificar para a prova. 

Nada mal para começar: os três primeiros tinham carros com motores que sequer eram vistos no restante do ano (os Buick) e equipavam somente um carro em tempo integral àquela altura (no caso do Honda, com o brasileiro André Ribeiro). Sobre Goodyear: o canadense, que perdeu a vitória pela menor margem da história em 1992 – chegou a 0s043 de Al Unser Jr., após não se classificar pro grid e assumir a vaga do companheiro Mike Groff -, havia ficado sem carro para disputar a temporada inteira, até que surgiu o acordo com a Tasman do então novato brasileiro.

Na largada, outra história famosa das 500 Milhas e já vista e revista N vezes: o acidente em que a frente do carro de Stan Fox se desintegrou e deixou suas pernas à mostra. Eddie Cheever, Lyn St. James, Carlos Guerrero e Gil de Ferran também ficaram de fora.

As estranhezas estavam longe de acabar: na volta 37, Luyendyk estava entre os líderes e resolveu mostrar o dedo do meio para o retardatário Scott Sharp, a quem acusou de bloquear. O movimento fez o protetor do cockpit que fica atrás da cabeça do piloto voar pela pista, o que motivou o acionamento de uma das famosas bandeiras amarelas por detritos. E em plena janela de pit-stops.

Jacques Villeneuve, em seu segundo ano da categoria, também vinha no pelotão da frente, no limite do combustível. E, quando a amarela entrou, em meio ao entra e sai dos boxes, se tornou o líder, mas aparentemente não sabia disso. Por duas vezes, o Pace Car tentou se posicionar à frente de Villeneuve para iniciar o alinhamento do pelotão. Nas duas, o canadense passou direto pelo carro de segurança, em busca de um pelotão que teria de começar por ele àquela altura. O filho do saudoso Gilles fez sua parada e a direção de prova, como punição, deletou duas voltas suas na cronometragem. E o fez despencar de terceiro para vigésimo sétimo.

Na volta 84, Jacques já havia recuperado uma volta e era o vigésimo, ao passo em que Maurício Gugelmin liderava a prova. Na volta 124, Villeneuve retornou ao mesmo giro do líder. Na 157, o segundo colocado da prova de 1994 assumiu a ponta pela primeira vez desde o pênalti. Àquela altura, Gugelmin já havia perdido desempenho e a prova era dominada por Jimmy Vasser, Scott Pruett e Scott Goodyear. Os dois americanos bateram nas voltas 170 e 184, respectivamente. Goodyear, no carro #24, era definitivamente o líder, com Villeneuve em segundo, já em condição real de vitória.

Na relargada após o acidente de Pruett, o líder Goodyear tirou o pé na reta oposta e perdeu o Pace Car de vista. Então resolveu acelerar e foi seguido pelo restante do pelotão, que avistou o carro de segurança ainda na metade da curva 4. Todos tiraram o pé, menos Goodyear, que alegou ter visto uma sinalização de luz verde, a qual indica autorização de nova largada. Ele ultrapassou o Pace Car quando este ainda se dirigia aos boxes, entrando na reta a mais de 300 km/h, enquanto o Corvette conduzido pelo oficial Dan Bailey estava a menos de 200 km/h. O piloto da Tasman sumiu na frente, mas foi penalizado. Primeiro com um stop and go, depois com bandeira preta e, finalmente, com suas voltas não sendo mais contabilizadas a partir da 195ª passagem.

A redenção da Honda – e da Firestone, que voltava à categoria naquele ano e não vencia desde 1971 – não veio. Com a desclassificação de Scott Goodyear, o caminho estava aberto para Jacques Villeneuve, que venceu escoltado pelo então estreante brasileiro Christian Fittipaldi e Bobby Rahal. O prodígio da equipe Green pavimentava seu caminho para vencer o título ao final do ano e rapidamente se transferir para a mesma Formula 1 em que o pai se tornou ídolo

Texto: Geferson Kern / colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

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