domingo, octubre 25, 2020

Especial Indy 500: Franchitti, três vitórias comemoradas atrás do Pace Car

Faltam 10 dias para as 500 Milhas de Indianápolis. Nos últimos 10 anos, o número 10 virou sinônimo, em Indy e na Indy, de Dario Franchitti, um homem que foi virar lenda no fim da carreira, com direito a um tricampeonato em Indianápolis – e com a incrível curiosidade de que todas as vitórias foram com outras bandeiras mostradas junto da quadriculada.

O escocês chegou à CART em 97, aos 24 anos, após duas temporadas destacadas pela equipe oficial da Mercedes no DTM e ITC. Depois de um ano discreto pela pequena Hogan, foi contratado pela reformulada Green e arrancou um terceiro lugar no campeonato, com três vitórias, atrás somente da imbatível Chip Ganassi de Alessandro Zanardi e Jimmy Vasser. No ano seguinte, mais três vitórias e o vice-campeonato: Franchitti terminou empatado em pontos com o estreante colombiano Juan Pablo Montoya, da mesma Ganassi, mas perdeu a taça pelo número de primeiros lugares conquistados.

Um acidente na pré-temporada de 2000 e a perda do amigo Greg Moore num terrível acidente na última prova do ano anterior, porém, fizeram com que o brilho do escocês diminuísse. Entre 2000 e 2001, apenas uma vitória. Em 2002, com o grid já esvaziado, suas três vitórias não o puseram nem perto de brigar pelo título. Quando Michael Andretti virou sócio do time, a agora denominada Andretti-Green foi uma das que se bandearam para a IRL. Um acidente de moto, em 2003, o fez perder quase toda a temporada de estreia. Venceu duas provas em 2004 e outras duas no ano seguinte, quando seu time massacrou a concorrência na categoria, mas ficou longe dos dominantes campeões Tony Kanaan e Dan Wheldon. Zerado em 2006, o britânico parecia cada vez mais longe dos dias de glória. Até que Indianápolis resolveu olhar para ele com outros olhos.

Depois de um bom começo de campeonato em 2007, com pódios em Motegi e Kansas, Franchitti partiria do terceiro posto do grid na principal prova do ano, atrás apenas de Hélio Castroneves e Tony Kanaan. Os brasileiros, mais Scott Dixon e Marco Andretti, se revezariam na ponta por boa parte das primeiras 250 milhas. Franchitti assumiu a liderança pela primeira vez na volta 74 e lá ficou até a 89ª passagem. A chuva, que se aproximava perigosamente, caiu de vez na volta 113, quando a Andretti-Green liderava com Kanaan, Marco e Danica Patrick. Na volta 151, o folclórico Marty Roth bateu. A maioria dos líderes foi aos boxes, mas Franchitti e Dixon ficaram na pista para ganhar posições. Na volta 163, o escocês liderava o pelotão quando, logo atrás, Marco Andretti e Dan Wheldon bateram. Durante a bandeira amarela. Antes que a pista pudesse ser a limpa, a chuva apareceu para não mais ir embora e, com 166 voltas, fez com que as bandeiras quadriculada e vermelha fossem mostradas.

Dario estava no lugar certo e na hora certa. Venceu a prova para renascer na carreira. Naquele ano, ele ainda capotaria duas vezes (!) e venceria mais três provas. A mais emocionante foi a decisiva, em Chicagoland, quando entrou lado a lado com Scott Dixon, com quem disputava o título, na última curva. O neozelandês sofreu uma pane seca e ficou, enquanto Franchitti acelerava para a vitória e o primeiro título de Indy que enfim chegava.

Se hoje nos admiramos com algumas coisas que acontecem com Dixie, é preciso relembrar como era esta fase da carreira de Dario. O homem era impossível.

Para 2008, o escocês foi contratado justamente pela Ganassi que derrotou nas curvas finais do oval de Joliet, mas para outra empreitada: a Nascar. Dario não pode defender sua vitória nas 500 Milhas de Indianápolis nem teve muito tempo para tentar triunfar em seu novo desafio: o time ficou sem patrocinador antes da metade do ano. Sua temporada nos stock cars ficou restrita a duas dúzias de corridas, entre as séries Sprint Cup e Nationwide Series, as duas principais da Nascar. O jeito foi voltar à Indy pela mesma equipe, onde substituiria o antigo companheiro Wheldon para correr com Dixon, então o atual campeão. A vinda de Franchitti para a Ganassi tornou o time tão dominante quanto fora nos anos de Zanardi e Montoya, no fim dos anos 90. O escocês faturou todos os títulos entre 2009 e 2011, com 12 vitórias no período e o bi das 500 Milhas, em 2010.

Para a prova daquele ano, tal qual em 2007, outra vez Hélio Castroneves largava na pole, outra vez Franchitti fechava a primeira fila. Entre eles, desta vez, estava Will Power. Desde a largada, porém, o escocês foi dominante: lideraria nada menos do 156 voltas, com direito a um stint avassaldor de 70 voltas consecutivas lideradas entre os giros número 39 e 108. O que não tornaria seu triunfo tranquilo. Na volta 161, uma bandeira amarela provocada por Sebastian Saavedra levou quase todo o pelotão aos boxes. Sem novas intervenções do Pace Car, seria preciso permanecer na pista por quase 40 voltas, o que tornou as passagens finais um drama.

Após Saavedra rodar, Mike Conway, Justin Wilson e Hélio Castroneves, que buscavam recuperar terreno, não pararam. Sentiram o gosto da liderança, mas se viram obrigados a procurar os boxes. Outros nomes fortes da reta final da prova, como Tony Kanaan – que largou em último -, também sucumbiram. A liderança voltou para Franchitti na volta 192. Àquela altura, era preciso se desdobrar. O carro #10 se arrastava ao mesmo tempo em que era preciso controlar Dan Wheldon, agora na Panther, que também sofria com a iminência de ficar sem combustível, mas se aproximava com perigo. Até que na última volta, Ryan Hunter-Reay sofreu uma pane seca e foi atingido por Conway, cujo carro foi jogado contra as grades de proteção – o que lhe custou uma perna quebrada e o resto da temporada. A bandeira amarela veio e garantiu o segundo triunfo de Dario em Indy.

Seu maior triunfo em Brickyard, porém, seria o derradeiro. Em 2012, a Indy finalmente abandonava os chassis Dallara cuja origem datava de 2005. O novo carro, também fabricado pelos italianos, levava o nome de DW12, homenagem a Dan Wheldon, atual campeão da prova e que morreu na última etapa de 2011, em Las Vegas. Seria uma prova naturalmente emocional e com requintes de imprevisibilidade, por se tratar da primeira com novos carros e motores: pela primeira vez desde 1996, os propulsores seriam turboalimentados. E pela primeira vez desde 2006, o grid não estaria todo empurrado por motores Honda, com o retorno da Chevrolet à categoria. Havia ainda a Lotus, que apareceu somente para fazer fiasco: os dois carros com o motor da lendária marca, pilotados por Simona de Silvestro e Jean Alesi (sim, ele mesmo) levaram bandeira preta com menos de dez voltas por serem lentos demais.

No grid, a montadora da gravatinha se impôs: colocou nove carros entre os dez primeiros do grid. Os treinos não foram fáceis para o escocês e seus companheiros, à época equipados com o motor japonês. Dario, que corria com o #50 numa homenagem aos 50 anos do histórico patrocinador Target, largou em 16º e, durante uma bandeira amarela, tomou um safanão de Ernesto Viso dentro do pit lane, que o jogou para o fim do pelotão. Era hora de arregaçar as mangas: com a tática de parar sempre no limite de cada janela, Franchitti e o companheiro Dixon foram alçados à ponta de cima da tabela. Na corrida, os motores Honda passavam a dar as cartas. Assumiriam a ponta na volta 126 com o surpreendente Takuma Sato, que se revezava na liderança com a dupla da Ganassi. Franchitti chegou à liderança pela primeira vez no giro 153. Até a bandeirada, os motores nipônicos perderiam a ponta somente por sete voltas para Tony Kanaan, que assumiu a dianteira numa relargada logo seguida de bandeira amarela.

Na última relargada, Dario tomou a ponta mas foi logo superado por Dixon. Ele ultrapassou o companheiro a duas voltas do final e trouxe com ele Sato, que só passou numa manobra suicida na curva 1. Na volta seguinte, o piloto da Rahal-Letterman-Lanigan repetiu o movimento pra cima do escocês, que não teve dúvidas em fechar a porta. O asiático foi para o muro e, pela décima terceira vez na Ganassi e última na carreira, Franchitti veria a quadriculada, mostrada outra vez em conjunto com a bandeira amarela. O escocês cruzou a linha de chegada escoltado de perto por Dixon e Kanaan. Três dos melhores amigos de Dan Wheldon, num final carregado de emoção.

A carreira de Dario seria encerrada num acidente com o mesmo Sato no ano seguinte, no circuito de rua de Houston. Mesmo forçada e precoce, a aposentadoria veio quando ele já possuía lugar cativo e honroso no panteão dos herois da Indy e de Indianápolis, o lugar que recolocou sua carreira nos trilhos em que andava quase uma década antes.

Texto: Geferson Kern / colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

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