jueves, octubre 22, 2020

Especial Indy 500: Montoya, o retorno de quem parecia nunca ter partido

Faltam 15 dias para as 500 Milhas de Indianápolis. O intervalo de 15 anos entre uma vitória de um piloto e sua próxima conquista é o maior já visto na história do maior espetáculo das corridas até hoje. Numa prova em que, temia-se, os carros sairiam voando, foi Juan Pablo Montoya quem voou do fim do pelotão para uma vitória arrebatadora.

A primeira vitória do colombiano em Indianápolis, em 2000, foi um marco. Para ele, para a equipe Chip Ganassi e para a história das corridas de Fórmula Indy. Na ocasião, Montoya era o atual campeão da CART, título que havia conquistado em sua temporada de estreia. Um incrível tetracampeonato consecutivo para a Ganassi. A equipe patrocinada pela rede varejista Target seria o primeiro grande time da CART a correr em Indy desde a cisão com a IRL, em 1996. E o fez com louvor: mesmo tendo perdido a pole para o então campeão em vigor da IRL, Greg Ray, da Menard, Montoya massacrou a concorrência na prova. Liderou 167 das 200 voltas e se tornou o primeiro rookie desde Graham Hill, em 1966, a faturar a corrida. Chip Ganassi se derretia por seu pupilo e dizia aos quatro ventos que, naquele momento, o piloto de Bogotá era o melhor competidor do planeta.

Na guerra das Indys, a balança que pendia toda para o lado da CART começou a virar para as bandas da IRL, até o fim da categoria rival e posterior reunificação. Para Montoya, era uma credencial importante para chegar à Fórmula 1, num retorno à Europa onde já havia sido campeão da Fórmula 3000 em 1998 e piloto de testes da Williams. Pelo próprio time do velho Frank, o colombiano chegou à categoria máxima. Transferiu-se para a McLaren, de onde saiu pela portas dos fundos em meados de 2006. Foi acolhido de volta pela Ganassi ainda naquele ano, mas para um desafio totalmente diferente: a Nascar. Com os stock cars, porém, a história da F1 se repetia: um bom começo e um mau final. Foram apenas duas vitórias em sete temporadas completas, o que levou a sua demissão no fim de 2013.

O anúncio de que a Ganassi não renovaria com Montoya, em meados de 2013, despertou o burburinho. Michael Andretti admitiu que adoraria tê-lo em sua equipe na Indy e que queria contratá-lo, mas precisava de patrocínio. O destino do colombiano parecia mesmo o retorno à categoria que o consagrou. E assim o foi, mas com uma surpresa: em agosto de 2013, veio o anúncio de que Montoya, de fato, estava de volta à Indy. Mas pela Penske, que num movimento surpreendente, voltaria a ter três carros e alinharia um Dallara-Chevrolet para Juan Pablo, que se juntava a Hélio Castroneves e Will Power.

A temporada de retorno do colombiano, incríveis 14 anos após deixar a Indy, não teve performances exuberantes como em outrora. Ainda assim, foi quinto em Indianápolis, fez pole e vitória em Pocono e terminou o campeonato em quarto. No início do ano seguinte, a arrancada havia sido ainda melhor: com a vitória em St. Petersburg e pódios em Long Beach e no GP de Indianápolis, chegava para a principal prova do ano na liderança do campeonato. Nada mal para quem ficou tanto tempo fora.

A prova de 2015 marcava a estreia dos kits aerodinâmicos no chassi Dallara DW12, a serem desenvolvidos pelas fornecedoras de motor – Chevrolet e Honda. Para Indianápolis, uma das ideias, à época, era aumentar a velocidade dos carros para que na centésima edição da prova, no ano seguinte, os até hoje imbatíveis recordes de velocidade de Arie Luyendyk em 1996 fossem enfim quebrados. Mas logo veio uma preocupação considerável: a tendência dos carros em decolar após acidentes. Hélio Castroneves, por exemplo, deu um flip no ar após encontrar o muro num treino livre. Josef Newgarden e Ed Carpenter passaram por situações parecidas. Ainda por cima, James Hinchcliffe bateu no penúltimo treino antes da prova e um braço de suspensão, solto do próprio carro, perfurou o cockpit e parou na região pélvica de seu corpo. Um impacto de 125G a 367 km/h. O canadense precisou receber 14 litros de sangue a caminho do hospital e, naturalmente, ficou fora da prova e do campeonato.

O clima era tenso para a 99ª edição da corrida. As aletas similares a parachoques instaladas atrás dos pneus traseiros foram abertas para evitar decolagens. O grid era dominado por Penske e pelos principais pilotos da Ganassi: Scott Dixon largaria na pole, com o companheiro Tony Kanaan em quarto. Will Power, Simon Pagenaud e Hélio Castroneves partiriam em segundo, terceiro e quinto, respectivamente. O único a destoar era Montoya, que partiria do 15º lugar.

Logo na largada, a primeira bandeira amarela, após contato entre Sage Karam e Takuma Sato. Enquanto o pelotão seguia o Pace Car, Simona de Silvestro atingiu aquela imitação de parachoques de Montoya, o que forçou o #2 a entrar nos boxes várias vezes para trocar todo o conjunto, que incluía a asa traseira. O incidente o relegou a trigésima posição entre os 32 carros ainda ativos na prova. Era hora de trabalhar.

Por ter janelas de pit stop diferentes dos líderes, após aproveitar os reparos nas voltas iniciais para reabastecer, Montoya surgiu na ponta pela primeira vez nas voltas 39 e 40, mas sua posição real ainda era bem distante do topo. O colombiano voltou a liderar nas voltas 165 e 166, já bem mais perto de seu objetivo. Sua primeira volta liderada de fato, sem contar com o jogo de estratégias de box, foi apenas na 192ª passagem. A essa altura, estava metido numa batalha ferrenha pela vitória com Scott Dixon e Will Power. O neozelandês quase jogou o rival da Penske no muro voltas depois, quando o fez sair mal de seu vácuo ao aliviar o pé na saída da curva 2 para impedir que Montoya tomasse seu vácuo na reta oposta.

O troco veio em alto estilo: Juan Pablo passou Dixon e o companheiro Power por fora e tomou a ponta para não mais perdê-la na volta 197. Suportou a pressão, usou o vácuo do retardatário Justin Wilson na última volta e acelerou para ganhar sua segunda prova em três participações àquela altura, um aproveitamento descomunal. Aos 39 anos, tornava-se ainda o primeiro a vencer a corrida por Penske e Chip Ganassi, as duas maiores forças da Indy desde meados dos anos 90. Hoje, mesmo de fora das provas de Indy para defender a Penske nos protótipos, na IMSA, não duvide que o colombiano ainda possa ressurgir e conquistar um tricampeonato na prova. Ao seu melhor estilo: de forma espetacular.

Texto: Geferson Kern / colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

Latest Posts

Brasileiros voltam à pista em St. Petersburg para última rodada do Road to Indy

Texto: Geferson Kern/colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

Datos rápidos – GP of St. Petersburg

Fecha: Sábado 24 y domingo 25 de...

Fatos Velozes – GP de St. Petersburg

Data: Sábado (24) e Domingo (25 de...

Andretti, Foyt, Carpenter y McLaren: la lucha por $ 1 millón en la parte inferior de la parrilla

Texto: Geferson Kern/Colaborador de IndyCarLatinos.com Brasil

Andretti, Foyt, Carpenter e McLaren: a briga por US$ 1 milhão no fundo do pelotão

Texto: Geferson Kern/colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com