jueves, octubre 29, 2020

Especial Indy 500: O homem que foi tri em Indianápolis – e fez muito mais do que isso pelo autódromo

Texto: Geferson Kern / colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

Faltam 07 dias para as 500 Milhas de Indianápolis. Em suas 13 largadas na prova, o tricampeão Wilbur Shaw chegou sete vezes no Top5. Shaw foi apenas o segundo a vencer três vezes – e o primeiro a fazê-lo por duas edições seguidas – na Indy 500, mas sua importância para a história da prova e do autódromo vai muito além de seus feitos na pista.

Natural de Shelbyville, cidade situada a 40 km de Indianápolis, Shaw fez sua primeira largada no famoso oval em 1927, com um bom quarto lugar. Após chegar na segunda colocação em 33 e 35, conquistou sua primeira vitória em 37, num final dramático: a 20 voltas do final, quando liderava com uma volta de vantagem sobre Ralph Hepburn, seu carro começou a vazar óleo, enquanto o pneu traseiro direito apresentava desgaste acentuado. Shaw reduziu o ritmo de forma abrupta. Enquanto ele e o mecânico a bordo John «Jigger» Johnson sofriam com queimaduras, o piloto calculava o quão lento ele poderia andar sem ceder terreno o suficiente para ser superado por Hepburn – que já percebera os problemas do líder e descontara a volta de desvantagem.

Quando, na volta 199, Shaw contornou a curva 4, estava sob a alça de mira de Hepburn. A chance de uma ultrapassagem na bandeirada era real. Algo pouco imaginável para uma época em que a diferença de primeiro para segundo colocado costumava ficar na casa dos minutos. Quando apontou na reta, Shaw percebeu que não tinha mais nada a perder. Acelerou o que podia e bateu o rival por 2s16. Foi a menor diferença entre os dois primeiros colocados até 1982, quando Gordon Johncock bateu Rick Mears por 0s160.

O hoosier terminou em segundo na prova de 1938 e faturou as duas edições seguintes, o que o colocou como o primeiro homem na história a vencer duas edições consecutivas das 500 Milhas. Em 39, Louis Meyer, primeiro a conquistar três vitórias em Indy, fazia sua despedida. Ninguém mais liderou do que ele naquele dia, nada menos do que 79 passagens, mas um acidente na volta 197 o relegou ao 12º lugar. Antes, na volta 106, uma colisão tripla entre Bob Swanson, Chet Miller e Floyd Roberts custou a vida deste último, então atual campeão da corrida – marcada ainda pela participação de George Bailey com o primeiro carro de motor traseiro da história de Indianápolis. A exemplo do que ocorrera no ano de sua primeira vitória no Brickyard, Shaw também encerrou a temporada como o vencedor do campeonato da Indy.

Em 40, Shaw perdeu a pole para Rex Mays – que venceria o campeonato ao final do ano – e inverteu as posições com o rival ao longo da prova. Levou o mesmo Maserati 8CTF com que havia vencido no ano anterior ao Victory Lane com nada menos do que 136 voltas lideradas. Este número inclui os 50 giros finais, disputados sob bandeira amarela em virtude da chuva. No ano seguinte, o tetracampeonato escapou de forma curiosa: antes da prova, ele teria escrito «Use last» num pneu desbalanceado, que por algum motivo foi colocado em seu carro durante a prova. Quando liderava na volta 152, perdeu o controle na reta principal e bateu sozinho. Apesar do combustível ter vazado, o piloto conseguiu escapar antes que o carro incendiasse.

Quando os EUA entraram na Segunda Guerra Mundial após a batalha de Pearl Harbour, no fim daquele ano, o automobilismo cessou no país e o Speedway foi fechado. Durante o conflito, Shaw foi convidado pela Firestone a testar um automóvel calçado com um pneu feito de borracha sintética. Ao chegar na casa que o consagrou como piloto, estarreceu-se com o estado deplorável em que o autódromo se encontrava. O dono do complexo à época, Eddie Rickenbacker, admitiu ao final do teste que as ruínas restantes da pista seriam demolidas e vendidas em lotes.

Ao saber daquilo, Wilbur começou a mandar correspondências para todos os fabricantes de carro da época em busca de um comprador para salvar Indianápolis. Mas todos responderam que, se fizessem o negócio, utilizariam a pista de forma privada, apenas para testes de seus veículos. Até que seu caminho se cruzou com o de Tony Hulman, dono da já quase centenária empresa Hulman & Company, ligada aos setores alimentício e atacadista. Um velho fã da pista e sobretudo das 500 Milhas, Hulman se convenceu a pagar 750 mil dólares para comprar o complexo. E designar Shaw para ser seu novo presidente.

Era a salvação. Em novembro de 1945, o arrasado Indianapolis Motor Speedway começava a ser recuperado para que sua famosa prova voltasse a ser disputada dentro de seis meses. Os convites enviados até para a Europa atraíram a atenção de ases do naipe de Luigi Villoresi, Rudolf Caracciola, Achille Varzi e Tazio Nuvolari – ainda que os três últimos não tenham chegado a competir. Com 33 carros e 165 mil pessoas nas arquibancadas (segundo a imprensa da época), as 500 Milhas e o autódromo de Indianápolis estavam de volta aos seus dias de glória.

A ascendente reconstrução liderada por Hulman e Shaw foi interrompida com a morte deste, em outubro de 54, num acidente aéreo, um dia antes de completar 52 anos de idade. Sua contribuição para Indianápolis, mesmo com a partida precoce, já estava eternizada. Dentro e fora dos quatro quilômetros do circuito oval.

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