viernes, octubre 30, 2020

Especial Indy 500: O homem que não simpatizava com Indianápolis – e vibrou como poucos quando venceu

Faltam 12 dias para as 500 Milhas de Indianápolis. O número do carro de seu penúltimo campeão, Will Power. Um homem que não gostava de Indianápolis e nem se dava bem em ovais. Que precisou rever seus conceitos para atingir a glória máxima.

Desde quando estreou na finada Champ Car, em 2006, o australiano se destacou em circuitos mistos. Na ex-CART, vencera nas ruas de Las Vegas e Toronto, além de conquistar a prova derradeira da categoria, em Long Beach ’08. No ano seguinte, com Hélio Castroneves sendo acusado de fraude fiscal e evasão de divisas e correndo o risco de ficar até 35 anos preso, Power foi contratado pela Penske para ficar, ao menos, como reserva. Competiu com o #3 em St. Petersburg e, com a absolvição de Castroneves, que viajou a Long Beach em meio ao fim de semana de prova para a segunda etapa do ano, pulou para um terceiro carro em que conquistou a pole e terminou em segundo. Correria somente mais quatro provas naquele ano, mas deixou sua marca vencendo em Edmonton.

De 2010 a 2012, o aussie substituto se tornou o homem forte da Penske na briga pelo título. Nos três anos, porém, acabou derrotado. Duas vezes por Dario Franchitti e uma por Ryan-Hunter Reay, de Chip Ganassi e Andretti, respectivamente. Perdeu os títulos em provas nos ovais de Homestead, Las Vegas e Fontana. Apesar das 14 vitórias naquelas três temporadas, nenhuma veio em circuito oval. Estava claro qual era o ponto fraco do australiano, que começaria a virar o jogo em 2013: não disputou o título, mas venceu sua primeira corrida em oval justo numa prova de 500 milhas, em Fontana. No ano seguinte, conquistou seu primeiro e único título até hoje, em cima de Hélio Castroneves, também no circuito californiano, junto com uma vitória em Milwaukee.

Em Indianápolis, Power também não apresentava nada de especial. Seu melhor resultado fora um quinto lugar em 2009, com algumas voltas lideradas. Quando chegou para a prova de 2015 com o #1 orgulhosamente pintado na fuselagem, os ventos davam a impressão de que mudariam: semanas após vencer o GP no circuito misto, Power largou em segundo e liderava até a volta 197, quando foi superado pelo companheiro Juan Pablo Montoya. Ele ainda se manteve colado ao colombiano e tentou o bote na reta de chegada, mas teve de se contentar com o segundo lugar.

Nos dois anos seguintes, novos insucessos em Indy e novas vitórias em provas de 500 milhas, ambas em Pocono, bem como um trunfo no sempre insano oval do Texas. Era maio de 2018 e o australiano parecia enfim preparado para vencer no lugar do qual ele disse não ter gostado quando conheceu, em 2008, conforme testemunhou Ed Carpenter – o que deixou o nativo da cidade do autódromo mais famoso do mundo naturalmente fulo.

No início do mês, o poderoso Will venceu com autoridade o GP de Indy. Uma vitória especial, pois tratava-se da 200ª da Penske na IndyCar. Nos treinos, os carros de seu time pareciam imbatíveis, mas foram surpreendidos por Carpenter, que conquistava sua terceira pole position. Power largaria em terceiro, atrás ainda do companheiro de equipe Simon Pagenaud e logo à frente do também teammate Josef Newgarden.

Uma novidade para a prova de 2018 era a estreia do novo kit aerodinâmico universal. Que trouxe economia para as equipes, carros bem mais bonitos inspirados nas inesquecíveis máquinas da década de 90 e também uma turbulência insuportável. A nova configuração, combinada com um dia de temperatura acima dos 30ª C, tornou as ultrapassagens bem mais complicadas em Indianápolis. Um cenário oposto ao visto desde 2012, quando estreou o atual chassis Dallara da categoria, em que Indy viu algumas das provas mais emocionantes da sua história, com um sem número de ultrapassagens, trocas de líderes e finais apertadíssimos.

Para vencer, seria preciso ser bem mais conservador. Foi o que fez o #12, se mantendo no grupo de ponta com os colegas de primeira fila mais o brasileiro Tony Kanaan, que abandonou a briga pela vitória após um pneu estourado na volta 99. O piloto da Oceania assumiria a ponta pra valer pela primeira vez na volta 108. Mesmo durante rodadas de pit stops que colocavam pilotos em estratégias alternativas na ponta, mantinha seu status de líder virtual da corrida.

O maior risco veio com a bandeira amarela da volta 188, provocada por uma batida de Kanaan: os azarões Oriol Serviá, Stefan Wilson e Jack Harvey resolveram permanecer na pista mesmo sem combustível para completar a prova em bandeira verde. Power ficou logo atrás. Com a relargada, na volta 194, Serviá foi engolido, mas o australiano não conseguia superar de Wilson e Harvey. Até que ambos migraram ao mesmo tempo para o pit na volta 197 e abriram caminho para o primeiro triunfo do outrora inimigo de virar somente à esquerda.

Texto: Geferson Kern / colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

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