miércoles, octubre 21, 2020

Especial Indy 500: O último desafiante da conexão Indianápolis-Charlotte

Estamos a 26 dias para 500 Milhas de Indianápolis. E o carro #26 foi aquele utilizado pelo último homem, até hoje, a tentar vencer o chamado Double Duty e completar 1100 milhas (o equivalente a 1.769,9 km) dentro da pista em um mesmo dia: o campeão da Nascar de 2004 e ídolo da categoria dos stock cars, Kurt Busch.

O nativo de Las Vegas sempre se mostrou um sujeito disposto a experimentar coisas além de seu território natural. Em 2011, chegou a competir numa prova divisão Pro Stock, a terceira principal da NHRA – maior liga de arrancada do planeta. E foi até as eliminatórias da corrida. Em 2013, experimentou um carro do V8 Supercars australiano e testou o bólido de Ryan Hunter-Reay, da Andretti, no início do Mês de Maio em Indianápolis. No que não foi sua primeira experiência com a Indy: em 2003, Buschão havia testado o Lola-Ford de Michel Jourdain Jr., do Team Rahal, num treino da Champ Car em Sebring.

A brincadeira com os monopostos pareceu agradá-lo: em 2014, acertou com a Andretti para disputar as 500 Milhas, no mesmo dia em que competiria por sua categoria principal nas 600 Milhas de Charlotte, por sua nova equipe Stewart-Haas. O time é chefiado por Gene Haas e Tony Stewart, o único a conseguir completar a missão até hoje, tendo sido sexto em Indianápolis e terceiro na Carolina do Norte e completado todas as voltas de ambas as provas em 2001. As demais tentativas neste molde foram feitas pelo próprio Stewart (99), John Andretti (94) e Robby Gordon (2002-2004).

O irmão mais velho de Kyle Busch, ainda por cima, seria o primeiro piloto a disputar as 500 Milhas já tendo sido campeão da Nascar. Outros grandes nomes do stock car que competiram em Indy – o que era mais comum do que parece em tempos antigos -, como Bobby Allison, Cale Yarborough e o próprio Tony Stewart, ainda não haviam se consagrado na Nascar antes de disputar a prova máxima do planeta. E tudo aconteceria numa prova com atrações inesperadas: Juan Pablo Montoya voltaria a Indianapolis após 14 anos, vindo justamente da Nascar. E a Schmidt Peterson anunciava que Jacques Villeneuve, quase vinte anos depois de vencer a corrida, pilotaria um de seus carros.

Em pista, Kurt Busch se mostrou muito íntimo do carro da Indy. Apesar de uma pancada dos treinos, se classificou em 12º, para dividir a quarta fila com ninguém menos que Montoya e Scott Dixon, com média na casa de 230 MPH (370 km/h). Uma velocidade bem superior ao que ele estava acostumado, visto que as médias de velocidade das pistas mais rápidas da Nascar, como Michigan, velha conhecida dos fãs da Indy, giram na casa de 200 MPH (320 km/h).

Na prova marcada pelo duelo épico nas últimas voltas de Ryan-Hunter Reay e Hélio Castroneves pela vitória – obtida pelo americano -, Busch mostrou competência. Chegou em sexto, a 2s2 de Hunter-Reay, o que lhe valeu o título de melhor rookie da prova. Resultado também do excelente acerto da Andretti para a prova, já que o time ainda colocou Marco Andretti na terceira colocação e Carlos Muñoz em quarto. Uma frase dita por ele após a prova explica bem seu sentimento: «eu dei meu coração para correr aqui».

Se as coisas correram bem em Indianápolis, não foi bem assim após o vôo para Charlotte, no território que já conhecia: o Outlaw perdeu o encontro pré-prova dos pilotos e teve de largar em último. Chegou a andar entre os 15 primeiros, mas um motor estourado o impediu de completar a distância total das duas provas do principal fim de semana de automobilismo da temporada nos EUA e no mundo.

Texto: Geferson Kern / colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

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