martes, octubre 27, 2020

Especial Indy 500: Quando o título da temporada virou prêmio de consolação

Faltam 28 dias para as 500 Milhas de Indianápolis. Em 1991, Michael Andretti, quarto maior vencedor de corridas da história da Fórmula Indy, vivia o auge de sua carreira, quando tinha exatamente 28 anos. Ao fim daquele ano, conquistou seu único título na categoria. Mas não pode impedir a frustração de perder a prova de maneira espetacular, ao ser ultrapassado por fora a menos de 50 quilômetros da bandeirada, naquela que provavelmente foi sua melhor chance de vencer a Indy 500.

Naquele ano, uma das grandes atrações da corrida era A. J. Foyt. Após destruir as pernas e os pés num acidente em Elkhart Lake, no ano anterior, era cogitado que o texano, já com 56 anos e 33 participações consecutivas em Indy, anunciasse sua aposentadoria. Mas Foyt planejou correr a prova e só em seguida se retirar das pistas. E assim foi: sorteado para ser o primeiro a fazer uma tentativa no Pole Day, A. J. conseguiu um sensacional segundo lugar no grid de largada. 

Era a primeira vez que ele se classificava para a primeira fila desde 1982. Esta foi uma das primeiras filas mais estreladas da história de Indianápolis, com o pole position Rick Mears, Foyt e Mario Andretti: nada menos do que oito anéis de vencedor conquistados até então para comandar o grid. E esse número aumentaria ao final da corrida. 

Na prova, Mears saiu na frente, mas perdeu a ponta para os Andretti, Mario e depois Michael, na volta 12. O primogênito, diga-se, foi dominante por boa parte da contenda: liderou 97 voltas. Era ele quem estava na ponta na volta 183, quando o motor do March-Alfa Romeo de Danny Sullivan estourou. O piloto da Newman-Haas, que precisava reabastecer, foi aos boxes e voltou logo atrás do pole Mears, que retornava à ponta.

Na relargada, na volta 186, Andretti embutiu na traseira de Mears e colocou seu Lola-Chevrolet na liderança, com uma bela ultrapassagem por fora na curva 1. A manobra não saiu barato. Na volta seguinte, Mears fez exatamente o mesmo movimento e deixou o filho do velho Mario a ver navios. O Andretti-pai, diga-se, apareceu lento na entrada dos boxes voltas mais tarde. E muitos desconfiaram que seria uma decisão propositada para chamar a bandeira amarela, reagrupar o pelotão e beneficiar o filho. 

Se foi ou não, não deu certo. No ano em que, nos treinos, sofreu seu primeiro acidente em Indianápolis desde a edição em que estreou no famoso circuito, em 1977, Mears faturou seu quarto e último título da prova. E Michael teve de se contentar “apenas” com o título da temporada…

A prova de 1991 ainda foi recheada de fatos inéditos, dignos de nota ou recordes. Confira:

*Primeiro piloto negro a se classificar para a prova (Willy T. Ribbs);

*Primeiro japonês a se classificar para a prova (Hiro Matsushita);

*Primeira vez que quatro membros da mesma família se classificam para a prova (Mario, Michael, Jeff e John Andretti);

*Primeira pessoa a pilotar o Pace Car após passar por transplante de coração (ninguém menos do que Carroll Shelby);

*Sexta pole de Rick Mears, recorde absoluto (os próximos na lista são Rex Mays, A. J. Foyt e Hélio Castroneves, todos com quatro);

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