jueves, octubre 22, 2020

Especial Indy 500: Vinte anos antes da glória, a frustração às vésperas da bandeira branca

Depois de quarenta anos, John Menard enfim pode se sentir um vencedor das 500 Milhas de Indianápolis no último ano. O caminho, porém, foi cheio de frustrações. Uma delas quando a bandeira branca já estava prestes a ser agitada na linha de chegada

Nesta quarta-feira (22), faltam 32 dias para as 500 Milhas de Indianápolis. E em 1999, faltou apenas uma volta e mais alguns metros para a vitória do carro #32, alinhado pela equipe Menard para Robby Gordon. Foi uma das tantas frustrações em Indianápolis para o time comandado pelo empresário John Menard, com quase 40 anos de história no Speedway. Seus carros sempre foram conhecidos por serem muito rápidos e não ganharem a prova. Até 2019.

A Menard era uma equipe da Fórmula Indy fundada em 1980 e que, com exceção de 1981 e 1982, sempre concentrava seus esforços somente nas 500 Milhas, onde fez a pole position em 1995 e 1996 com motores preparados pelo próprio time a partir de unidades stock block dos antigos Buick V6. Ambas com Scott Brayton, que, em triste ironia, bateu nos treinos e morreu em 96 quando há havia garantido a pole.

A Menard também foi o time pelo qual Nelson Piquet se aventurou em Indianápolis e sofreu um grave acidente em 1992. Piquet foi substituído na corrida por Al Unser, o pai, que chegou em terceiro lugar e tornou-se o primeiro homem a completar todas as 500 milhas com um dos potentes e frágeis motores Buick. O tricampeão brasileiro voltaria a Indy em 93 pelo mesmo time, quando abandonou e foi classificado em penúltimo.

Em 1996, com a criação da IRL, a Menard voltou a ser uma equipe que disputava a temporada toda. Em 99, John Menard, proprietário de uma gigantesca rede de lojas de itens para casas, de materiais de construção a utensílios domésticos, decidiu expandir suas operações e patrocinar Gordon na criação de seu próprio time na CART, após uma temporada de pouco sucesso na NASCAR e outra como piloto substituto na Arciero-Wells.

A CART, aliás, correu naquele fim de semana, no sábado à tarde, em Gateway. Gordon estava lá. Correu, bateu após apenas 10 das 236 voltas e voou direto para Indiana – o brasileiro Roberto Pupo Moreno, que chegou em quarto e era companheiro do também brasileiro Maurício Gugelmin na PacWest, como substituto do lesionado inglês Mark Blundell, fez o mesmo. No dia seguinte, Gordon alinharia em quarto no grid das 500 Milhas, atrás apenas do pole position Arie Luyendyk, do companheiro de equipe Greg Ray e do pole do ano anterior, Billy Boat.

A prova vinha sendo dominada por Luyendyk, que havia disputado sua última temporada completa pela Treadway em 98 e pretendia fazer, em Indianápolis, sua despedida do automobilismo. Depois de se revezar na ponta com Ray e o então atual campeão, o sueco Kenny Bräck, o Holandês Voador bateu na volta 117. Ray assumiria a ponta, mas ao ir aos boxes durante aquela bandeira amarela, sofreu um acidente tolo ao sair de seu pit com Mark Dismore. Brack, Eddie Cheever e Jeff Ward passaram a figurar na liderança a partir dali.

Na volta 164, Flash Gordon aproveitou uma bandeira amarela para abastecer. Os líderes pararam em outra amarela, cinco voltas mais tarde. Gordon ficou na pista e tomou a ponta. Uma nova aparição do Pace Car daria a ele a vitória, mas ela nunca aconteceu. Quando apontava na saída da curva 4 para receber a bandeira branca que indica a última volta, o Dallara-Oldsmobile amarelo com as laterais azuis surgiu lento. Era uma pane seca: o piloto do #32 já enxergava o fiscal da IRL que mostraria a bandeira branca no posto sobre a mítica faixa de tijolos de Indy, mas precisou recolher aos boxes.

O caminho ficou aberto para Kenny Brack faturar sua primeira e única vitória no Speedway. Foi a primeira vitória do primeiro tetracampeão da corrida, A. J. Foyt, como chefe de equipe. A quinta e última do SuperTex, até hoje, na corrida que o consagrou.

Ainda que tenha visto o próprio filho, Paul Menard, conquistar a única vitória de sua carreira como piloto da Nascar justamente em Indianápolis, na Brickyard 400 de 2011, a glória para o apaixonado John Menard nas 500 Milhas só viria em 2019. Desta vez, não mais como chefe de equipe, mas como patrocinador da Penske.

Na última edição, a Menards estampou sua marca na varrida do Mês de Maio promovida por Simon Pagenaud. Na chuva, o francês venceu o GP de Indianápolis, disputado no circuito misto, prova que desde 2014 abre a programação da Indy no autódromo. Na semana seguinte, marcou a pole position para as 500 Milhas. Uma semana mais tarde, venceu a mítica prova, pela 18ª vez para a Penske e pela primeira para Menard.

Depois de quarenta anos, enfim o empresário pode ir ao Victory Lane comemorar com o pupilo que recebeu a tradicional garrafa de leite, bem como dar o famoso beijo na jarda de tijolos ao lado do próprio Pagenaud e de Roger Penske. Um momento que este bilionário já octagenário certamente guardará para o resto dos seus dias.

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