lunes, octubre 26, 2020

Honda dá o troco após domínios da Chevy em classificações da Indy 500 na era DW12

Texto: Geferson Kern / colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

A Honda não deu a mínima chance para a Chevrolet na classificação em Indianápolis. A montadora japonesa fez a pole position com Marco Andretti, monopolizou a primeira fila e colocou oito carros entre os nove classificados ao Fast 9, segmento com os mais rápidos do fim de semana para a disputa da pole. Mais: dos 20 primeiros no grid, 15 usam Honda. Dos 13 últimos, apenas um usa propulsores nipônicos. Um troco em alto estilo contra os americanos, que dominaram a maioria das classificações para a prova desde a instituição do atual chassis, o Dallara DW12, há oito anos.

De 2012 até 2019, foram cinco poles da Chevy (de 2012 a 2014 e nos dois últimos anos) contra três da Honda, conquistadas de forma consecutiva entre 2015 e 2017. Coincidência ou não, estes foram exatamente os anos em que as montadoras também deveriam desenvolver kits aerodinâmicos para serem aplicados aos chassis italianos. Nas demais temporadas, todos os carros competiam com um pacote universal, totalmente fornecido pela própria Dallara.

“A Honda fez um trabalho incrível”, disse Michael Andretti, dono do carro que larga na pole position e de outros três que se habilitaram à disputa do Fast 9. “Nós estávamos atrás [da Chevrolet] no último ano, mas eles trabalharam duro durante a intertemporada e nos deram o carro que precisávamos para estar onde estamos”, afirmou o chefe da equipe Andretti Autosport. Esta é a ainda primeira vez que o grid da prova terá uma primeira fila 100% Honda desde que os japoneses passaram a ter a concorrência da Chevrolet, em 2012.

Começo complicado

O domínio imposto pela Honda em 2020 já havia ocorrido em outras edições, mas sempre protagonizado pela concorrente ianque. Em 2012, oito dos nove carros classificados no Fast 9 usavam os motores da fábrica de Detroit. O único representante dos asiáticos na briga pela pole foi, curiosamente, Josef Newgarden, bicampeão da Indy pela Penske com motores Chevrolet, mas que à época largou em sétimo num carro alinhado pela equipe Sarah Fisher-Hartman. A vitória, porém, foi dos japoneses, com Dario Franchitti, em dobradinha da Ganassi (e da Honda) com Scott Dixon.

Em 2013, o massacre foi ainda maior: todos os carros no Fast 9 usavam Chevrolet. O melhor Honda na grelha de partida foi Alex Tagliani, da Bryan Herta Autosport (ainda sem o amparo da Andretti, que à época usava os motores GM), em 11º. Na prova, só deu Chevrolet, com vitória de Tony Kanaan, da KV, seguido por Carlos Muñoz, Ryan-Hunter Reay e Marco Andretti, todos do time da família do último. O melhor Honda foi Justin Wilson, Dale Coyne, que chegou em quinto.

Insucessos recentes

Nos dois últimos anos, quando os kits personalizados de cada montadora (que trouxeram três poles e duas vitórias para os japoneses) foram trocados pelo pacote único conhecido como UAK 18, a Chevrolet voltou a dar as cartas. Em 2018, a Chevrolet esteve em sete carros do Fast 9, entre eles os quatro primeiros, além de vencer a prova com Will Power. No ano seguinte, novamente quatro dos seis Chevy que foram ao Fast 9 ocuparam as quatro primeiras posições. O que largou na pole, Simon Pagenaud, também levou para casa a vitória. Ambas obtidas com carros da equipe Penske.

O domínio da Honda no qualify de 2020 coincide com uma nova alteração nos carros da Indy: a instituição do aeroscreen que aumentou o peso total em 27 kg e fez a categoria aumentar a pressão do turbo na classificação da Indy 500: com isso, os motores que usavam 1,4 bar passaram a usar 1,5 bar. O salto de potência em relação ao modo de corrida passou de 25 para cerca de 50 cv. Seja como for, a Honda aproveitou muito bem. Aos Chevy, resta fazer o que os próprios japoneses fizeram em outras ocasiões, como no ano de estreia dos atuais chassis, para reverter o cenário desfavorável.

Curiosidade centenária

Há ainda um aspecto curioso na história: o domínio e favoritismo da Honda surge justo no ano do centenário da primeira vitória do nome Chevrolet em Indianápolis. Foi em 1920, com Gaston Chevrolet, filho de suíços nascido na França e irmão de Louis Chevrolet, fundador da companhia que existe até hoje e leva o sobrenome da família. Gaston, no entanto, nunca teve relação com a empresa e ainda sofreu um desfecho trágico: seis meses após vencer a Indy 500, morreu quando disputava uma prova da Indy da época num oval com pista de tábuas em Beverly Hills.

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