jueves, octubre 22, 2020

Kanaan de olho em oportunidades e momentos em busca do bi das 500 Milhas de Indianápolis

FOTO: Walt Kuhn/INDYCAR
FOTO: Walt Kuhn/INDYCAR

Qualquer lista de grandes ultrapassagens da carreira de Tony Kanaan terá, na primeira posição, sua incrível largada nas 500 Milhas de Indianápolis de 2010. 

Naquele ano, o brasileiro teve problemas na classificação e largou na 33ª e última posição. Mas assim que foi dada a bandeira verde, passou sete carros antes da segunda curva da primeira volta.

“Eu teria passado mais, mas aconteceu um acidente e veio a bandeira amarela”, diz o brasileiro. “Eu pensei: ‘por que veio essa amarela? Eu teria passado ainda mais carros’”.

Kanaan chegou a ocupar o segundo lugar naquela prova até precisar parar para reabastecer nas voltas finais. Ele chegou em 11º, mas a impressão deixada continua como um dos grandes momentos de sua carreira.

“É tudo sobre a oportunidade e o momento que ela acontece”, diz Kanaan. “Você não pode planejar passar sete carros na primeira volta. Eu estava num lugar que eu não devia estar. O carro era muito melhor do que o 33º lugar. Tivemos um problema na classificação, por isso eu estava ali. Eu sabia que metade daquele grid era mais lento do que eu”.

“Às vezes, isso facilita as coisas, também. Parece impressionante, mas havia carros mais lentos do que o meu. Meu cara era realmente bom. Eu tive a oportunidade e senti o momento. Se você ver a largada, eu não fiz nada até a curva 1. Quando eu vi o espaço do lado de fora enquanto todos iam por dentro, assumi o risco e funcionou”.

Para um piloto nas 500 Milhas de Indianápolis, é uma mistura de habilidade, experiência e uma dose extra de coragem fazer os movimentos que Tony fez durante sua carreira, em especial nas largadas e relargadas.

“É difícil pra mim explicar, mas é algo que sempre fiz”, diz Kanaan. “É natural para mim”.

“Eu sequer penso a respeito, apenas faço. Você precisa saber o que está fazendo, nunca fiz uma aula para aprender como fazer a largada de uma corrida. Você apenas segue seus instintos”.

A segunda posição na lista de ultrapassagens da carreira do baiano pode ser a última relargada da Indy 500 de 2013. 

Ryan Hunter-Reay liderava e Kanaan estava em segundo quando a bandeira verde apareceu, a três voltas do final. TK disse por sua equipe no rádio que ia para cima, em uma corrida que teve um recorde ainda em vigor de 68 mudanças de liderança entre 14 pilotos diferentes.

A bandeira verde foi mostrada. Kanaan acelerou e passou Hunter-Reay no mergulho da curva 1. Ele assumiu a ponta quando, no meio do pelotão, Dario Franchitti bateu após a primeira curva e provocou a última bandeira amarela da prova, que terminou com o pelotão atrás do Pace Car.

O que selou a tão esperada vitória de Tony em Indianápolis.

“Faltavam três voltas para o fim, eu sabia que eu precisava ir para a liderança”, conta. “Havia apenas um carro a ultrapassar. Eu sabia que, naquele ano, o líder estava sempre exposto. Eu disse que eu ia para cima para assumir a ponta. Com três voltas para o fim, não é o que você quer fazer, pois você não quer ser o líder na última volta. Mas eu pensei em todas as provas que eu perdi por causa de uma bandeira amarela numa relargada no fim”.

“Eu fiz uma aposta sobre isso e foi exatamente o que aconteceu: funcionou”.

Quando se fala em largadas e relargadas, Kanaan é uma referência. Mas há outro piloto no grid da Fórmula Indy que ele acredita ser a versão mais próxima dele mesmo em termos de colocar seu carro em pontos da pista onde os outros pilotos jamais se aventurariam a fazer.

É Alexander Rossi, da Andretti.

“Absolutamente, Alex tem um talento similar ao meu para uma largada”, analisa Tony. “Ele disse que ele costumava me assistir. Ele é o cara que mais me impressiona com esse mesmo tipo de relargada”.

Kanaan vai para sua 19ª largada na Indy 500. Essa deveria ser sua última participação na prova, mas sem espectadores permitidos dentro do autódromo em função da pandemia, o brasileiro está com os planos em reconsideração e pode retornar para uma 20ª participação em 2021.

“Eu preciso primeiro fazer isso funcionar”, diz ele. “Eu não tenho um carro ainda, mas seria algo mais a fazer dentro da Indy 500 e eu espero que isso aconteça, é claro. Com tudo o que aconteceu e tudo que esse lugar representa para mim, não faz nenhum sentido de chamar isso de despedida ou última volta sem ninguém aqui. Esse nunca foi o plano. Quando anunciamos meu último na Indy em fevereiro, queríamos fazer um monte de coisas com os fãs e muito engajamento com eles. Nada disso aconteceu”.

“Eu detesto mudar de ideia, mas essa é realmente a coisa certa a fazer”.

Kanaan começa a 104ª edição das 500 Milhas de Indianápolis com seu Chevrolet da equipe Foyt na 23ª posição, no meio da oitava fila, ao lado de outro ex-campeão da prova, Will Power. Logo atrás, a nona fila conta com o atual campeão da corrida, Simon Pagenaud, bem como o bicampeão mundial Fernando Alonso. Hélio Castroneves, que busca sua quarta vitória em Indianápolis, sai ainda mais atrás, na décima fila.

“É uma coisa positiva que tenhamos todos esses caras experientes na parte de trás”, diz. “Geralmente, quando você larga atrás aqui, é com uma porção de caras inexperientes, novatos ou que fazem apenas essa prova. Para mim, é realmente confortável pois eu sei que nada de ruim vai acontecer na largada”.

“Há alguns pilotos mais jovens logo na nossa frente, então temos que prestar atenção neles. Esperançosamente, eles vão se comportar e vamos estar aptos a passar pelas primeiras voltas sem problemas e ver o que acontece depois”.

“No último treino livre, vimos muitas ultrapassagens. É preciso ter paciência. Não é como em 2013 quando você pensava ‘vou passar agora’ e você passava. Não é mais como era”.

Por causa do estilo de piloto agressivo, porém limpo, bem como de sua personalidade persistente e feroz, Kanaan tem sido chamado de “A. J. Foyt brasileiro”. Em Indianápolis, ele e o dono de sua equipe estão reunidos pela primeira vez neste ano, já que essa é a primeira corrida da Fórmula Indy em 2020 que Foyt assiste pessoalmente.

“É uma honra ser chamado de A. J. Foyt brasileiro”, diz Tony. “E eu espero honrá-lo no próximo fim de semana com outra vitória nas 500 Milhas de Indianápolis”.

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