viernes, octubre 30, 2020

Os 35 anos da primeira vitória de Emerson Fittipaldi na Indy

Foi num 28 de julho como hoje, em 1985, que a história do esporte a motor brasileiro mudaria para sempre – pela segunda vez. Tal qual fizera ao chegar na Fórmula 1 em 1970 (e vencer sua primeira prova ainda naquele ano), Emerson Fittipaldi, há 35 anos, abria em definitivo as portas da Fórmula Indy e do automobilismo americano para o Brasil. Nesta data, o já bicampeão mundial conquistava sua primeira vitória e mostrava que sua carreira estava bem longe do fim.

O primeiro triunfo de Fittipaldi não veio num circuito misto, sua especialidade. Aconteceu num oval. E não em qualquer oval, mas num superspeedway: a pista de Michigan, menor apenas que Indianápolis entre os circuitos em que só se dobra è esquerda, mas ainda mais veloz – a média horária da pole position em Michigan naquele ano foi cerca de 2 km/h superior do que a obtida em Indy.

Naquele ano, o brasileiro fazia sua primeira temporada completa pela Patrick, equipe pela qual se consagraria quatro anos depois. As seis etapas que antecederam as 500 Milhas de Michigan foram positivas para Fittipaldi, que conquistou seus primeiros pódios na Indy, com segundos lugares nas ruas de Long Beach e Meadownlands e um terceiro no misto de Portland.

Até ali, ele havia conquistado também seu melhor resultado em ovais, mas nada muito digno de nota: Emerson havia sido o oitavo em Milwaukee, seis voltas atrás do vencedor Mario Andretti. Ele chegaria a Michigan em quarto lugar no campeonato, 27 pontos atrás do próprio Andretti, que liderava (eram 22 pontos em jogo a cada etapa). Entre os ex-campeões de Fórmula 1, estavam os dois Al Unser, pai e filho, empatados na vice-liderança da tabela.

Um domingo acidentado

Em Michigan, Fittipaldi não pode dispor de seu carro titular e teve de recorrer ao bólido reserva de seu companheiro de equipe, pintado nas lendárias cores da empresa STP, que naquela prova seria o americano Sammy Swindell, especialista em pistas de terra. Swindell era um dos tantos substitutos de Gordon Johncock, bicampeão da Indy 500 que subitamente anunciou sua aposentadoria um dia antes do Pole Day de Indianápolis. Em circuitos mistos, quem pilotava o carro era o italiano Bruno Giacomelli, outro ex-F1.

Emmo se classificou apenas em 19º entre 30 carros, sete posições atrás de Swindell. Na corrida, porém, a história foi outra: enquanto o companheiro de time bateu e abandonou na 58ª das 250 voltas, Fittipaldi tratou de escalar o pelotão e evitar problemas: os acidentes naquele dia eliminaram exatamente um terço do grid. A pancada mais forte foi justamente de Mario Andretti, que quebrou a clavícula e precisou ficar fora da prova seguinte, em Elkhart Lake.

A corrida, diga-se, já havia sido adiada em função dos acidentes: na sua data original, no fim de semana anterior, batidas de Bobby Rahal e Roberto Guerrero em decorrência de estouros no pneu dianteiro direito forçaram a organização a adiar a prova por razões de segurança. Mesmo assim, a prova teve 13 intervenções do Pace Car e 105 voltas em bandeira amarela.

Bote na hora certa

A escalada à ponta foi desafiadora: por volta do giro 170, Fittipaldi ficou sem embreagem. Ainda assim, assumiu a dianteira na volta 201, já no último quinto da corrida. Ele sustentou a ponta por apenas 10 voltas, antes de ser superado por Al Unser, o pai, que defendia a Penske. Na volta 232, porém, Fittipaldi tomou a ponta para não mais perdê-la.

A chegada ao topo ainda teria um capítulo dramático, com uma relargada a apenas duas voltas do fim. No giro final, Emerson conseguiu ultrapassar o terceiro colocado, Tom Sneva, que bloqueou Al Unser e impediu uma investida mais contumaz do já tricampeão da Indy 500. Foi a senha para Fittipaldi chegar pela primeira vez ao Victory Lane, apenas quatro décimos à frente de Big Al, após extenuantes três horas, 53 minutos e 58 segundos de corrida.

Após a prova, Emerson declarou que a luz do combustível ficou acesa pelas últimas quatro voltas. O jornal Chicago Tribune ainda reporta uma brincadeira do brasileiro: ele disse que deveria dar 70% de seu prêmio de 112 mil dólares a Tom Sneva por bloquear Unser, que reclamou muito. “Eu não sabia que estava uma volta atrás. Eu estava sem rádio e não podia receber informações da minha equipe”, defendeu-se Sneva à época.

História com os ovais e quebra de tabu

Emerson saiu de Michigan vivo na briga pelo campeonato: ele agora era o terceiro colocado na tabela. O lesionado Mario Andretti mantinha a ponta, agora com apenas sete pontos à frente de Al Unser e dez de vantagem para o brasileiro. O título, porém, acabou disputado somente por Al Unser e Al Unser Jr., com vantagem para o pai, que conquistou seu terceiro e último título no campeonato na última prova, nas ruas de Miami, por um mísero ponto sobre o filho.

Já Fittipaldi só voltaria a vencer num circuito oval quase quatro anos depois, em sua primeira vitória nas 500 Milhas de Indianápolis, também pela Patrick. Assim como em Michigan ‘85, outra vez contra um Unser, desta vez o filho, numa disputa que se tornou um clássico absoluto da história da prova. Ainda em 89, Emmo confirmaria a conquista de seu único título na Indy com outra vitória em oval, em Nazareth.

O triunfo naquela prova em Michigan foi o primeiro de Emerson Fittipaldi depois de exatos dez anos e nove dias: sua última vitória até ali numa grande categoria havia sido em 19 de julho de 1975, pela McLaren, no GP da Inglaterra de Fórmula 1, em Silverstone. Foi também a primeira de 22 vitórias que ele conquistaria em sua carreira na Indy, encerrada num acidente na mesma Michigan e no mesmo 28 de julho, em 1996, quando se tocou com Greg Moore na largada.

E o Brasil, a partir dali, tinha definitivamente um novo mundo onde seus pilotos poderiam vencer. E onde os fãs poderiam apreciar corridas bem daquela maneira: decididas somente na linha de chegada.

Texto: Geferson Kern / colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

Agradecimento: Everton Rupel

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