sábado, octubre 31, 2020

1986, o ano em que a largada demorou seis dias para acontece

Texto: Geferson Kern / colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

Estamos a 31 dias das 500 Milhas de Indianápolis. A prova já aconteceu por nove vezes num dia 31 de maio. Na última delas, em 1986, mas por puro acidente.

Graças à chuva, a corrida aconteceu quase uma semana depois da data original. O que precisou mexer até com o restante do calendário da Fórmula Indy na temporada.

A prova de 86 estava programada para ocorrer no dia 25 de maio, um domingo, mas a chuva não deixou. A opção óbvia foi adiar para o dia seguinte, segunda-feira, feriado nos EUA do Memorial Day, data em homenagem aos americanos mortos em guerras. Mas o plano não deu certo: a chuva não cessou por um instante, de tal forma que meras 5,8 mil almas se aventuraram a ir ao Speedway com a esperança de que haveria corrida.

E agora? O medo dos organizadores de correr diante de arquibancadas vazias num dia útil era latente. A ABC, emissora americana responsável pelo televisionamento, não se comprometeu a transmitir a prova num meio de semana. De quebra, as previsões do tempo para terça e quarta-feira seguintes eram pessimistas.

Assim, a saída foi reprogramar a prova para o sábado da semana seguinte à data original. Justamente o último dia do lendário Mês de Maio. A situação foi inusitada de tal forma que a prova de Milwaukee, marcada para o fim de semana seguinte ao das 500 Milhas, no dia 1º de junho, precisou ser reagendada para que enfim houvesse corrida no estado de Indiana.

As tensões, no entanto, não cessaram. Quando finalmente os 33 carros estavam na pista, Tom Sneva, campeão da prova três anos antes, rodou e bateu na saída da curva 2, ainda na última volta de apresentação, devido a uma quebra na suspensão. Enquanto isso, alguns espectadores um pouco mais empolgados do que deveriam soltaram uma bomba de fumaça na reta oposta.

Bandeira vermelha e autorização para que os carros fossem reabastecidos com três galões (cerca de 11 litros) de metanol, para compensar o combustível desperdiçado no início atribulado. Só aí que, com seis dias e mais 40 minutos de atraso – pela bomba e a batida de Sneva -, a bandeira verde foi vista em Indianápolis.

Como se não bastasse tudo isso, a prova quase viu uma zebra daquelas. Kevin Cogan, da Patrick, que ficou conhecido em Indianápolis por eliminar A. J. Foyt e Mario Andretti da prova logo na largada em 1982 – e também por isso acabou demitido da Penske após apenas uma temporada -, liderava até a volta 194, quando veio uma bandeira amarela: rodada na curva 4 de Arie Luyendyk, que ainda não era conhecido como o Holandês Voador – estava apenas em sua segunda participação na corrida. A bandeira amarela reagruparia todo o pelotão para uma relargada decisiva já no apagar das luzes da famosa prova.

A relargada veio a apenas duas voltas para o final. Foi a deixa para que Bobby Rahal superasse Cogan, então companheiro de Emerson Fittipaldi na equipe de Pat Patrick, para conquistar sua única vitória nas 500. Uma vitória com uma elevada carga emocional: àquela altura, Jim Trueman, proprietário da equipe Truesports, onde Rahal corria, já sofria de câncer.

Apenas dez dias depois de vibrar com a vitória de seu pupilo, em 11 de junho daquele ano, Trueman morreu. Ele era proprietário do autódromo de Mid-Ohio e pai de Megan, esposa do presidente da Penske, Tim Cindric, bem como avô do atual piloto da Nascar Xfinity Series, Austin Cindric. Sua morte causou comoção na categoria.

Curiosamente, a prova que demorou quase uma semana pra acontecer se tornou a mais rápida da história até então, tendo sido completada pela primeira vez em menos de três horas. Ah: o melhor estreante daquela edição, com direito a um bom décimo lugar, foi Randy Lanier. Que ficou conhecido por seu envolvimento com o tráfico internacional de drogas, foi preso, condenado à prisão perpétua e obteve a liberdade em 2014.

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