martes, agosto 3, 2021

Andretti, Foyt, Carpenter e McLaren: a briga por US$ 1 milhão no fundo do pelotão

Texto: Geferson Kern/colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

A briga pelo título da temporada 2020 entre Scott Dixon e Josef Newgarden não será a única da etapa decisiva da Fórmula Indy, a ser disputada neste domingo (25), em St. Petersburg.

Há disputas pelos títulos de melhor rookie (estreante), campeã entre as fornecedoras de motores e uma batalha especialmente acirrada, que envolve carros mais ao fundo do pelotão: a briga por US$ 1 milhão em 2021, valor que pode representar de 15 a 20% do orçamento anual para alinhar um carro no grid (segundo a revista especializada Racer) e até garantir a continuidade de um participante na categoria no próximo ano.

A disputa em questão envolve os entrant points, ou seja, os pontos que cada carro computa ao longo de uma temporada. Um exemplo claro é o que ocorre com o carro #20, da equipe Carpenter, cuja pilotagem é dividida na temporada por dois competidores: Conor Daly (circuitos mistos) e Ed Carpenter (ovais). No campeonato de pilotos, o filho de Derek Daly é o 16º, com 224 pontos, fruto também de suas participações, nos ovais, no carro #59, da equipe Carlin. Já o proprietário do time é o 25º na tabela, com 81 pontos.

Na classificação dos entrant points, o carro dividido por Daly e Carpenter não está nem em um nem em outro lugar: é o 21º, com 179 pontos, o que representa o número de tentos somados por Conor e Ed somente nas provas em que competiram a bordo do bólido #20. A missão para a Carpenter e também para nomes tradicionalíssimos do automobilismo, como Andretti, Foyt e até a McLaren, é clara: manter seus carros entre os 22 melhores nesta tabela. Assim, a equipe garante seu carro como integrante do Leader’s Circle (Círculo de Líderes, em tradução livre), em que cada carro recebe US$ 1 milhão distribuído pela própria IndyCar, organizadora da competição.

O programa foi estabelecido ainda em 2002, na então Indy Racing League (IRL) e se mantém desde então. Por meio dele, as equipes não recebem premiações por seus resultados em cada prova (com exceção das 500 Milhas de Indianápolis): os valores são retidos pela IndyCar e os 22 carros de melhor pontuação participam igualmente do rateio, como meio de buscar garantias de um número tido como aceitável pela categoria para formar o grid. O problema é que, em 2020, há 23 carros que competem de forma integral. E um deles ficará sem o cortejado milhão em 2021.

A matemática do milhão

Em St. Petersburg, seis carros chegarão matematicamente com riscos de serem eliminados do grupo dos 22: pela ordem de pontuação, são eles os bólidos #7 (McLaren, de Oliver Askew e que foi substituído na última prova por Hélio Castroneves, com 200 pontos), #26 (Andretti, de Zach Veach, trocado também desde a última corrida por James Hinchcliffe, com 199), #4 (Foyt, com Charlie Kimball), #20 (o supracitado carro da Carpenter com Conor Daly e Ed Carpenter, 179 pontos), #14 (Foyt, que já foi pilotado por Tony Kanaan e Dalton Kellett neste ano e desde a corrida passada possui Sebastien Bourdais a bordo, 173) e #98 (Andretti, com Marco Andretti, 166).

As trocas feitas para o último fim de semana de provas da Indy, com uma rodada dupla no misto de Indianápolis, estão diretamente ligadas ao Leader’s Circle: Michael Andretti afastou Veach, com provas abaixo da média, para apostar na experiência de Hinchcliffe, de seis vitórias na categoria.

Na Foyt, o discreto estreante Kellett foi trocado pelo tetracampeão Bourdais, que já está acertado para continuar no time em 2021. Já a McLaren, sem poder contar com Askew, vetado por razões médicas, decidiu apostar na experiência de Castroneves, com 30 vitórias e um tricampeonato da Indy 500 no currículo, para somar o maior número possível de pontos na prova passada.

O caso mais emblemático talvez seja o de Andretti: apesar da pole nas 500 Milhas de Indianápolis, a primeira da família para a prova em 33 anos, o neto de Mario Andretti faz sua pior temporada na categoria. No campeonato de pilotos, está atrás até do novato Askew, que tem duas provas a menos pelas questões de saúde citadas. Em 13 etapas até aqui em 2020, Marco não passou de um décimo lugar em uma das provas em Iowa. O jejum de pódios arrasta-se desde 2015, enquanto o de vitórias o persegue desde 2011 – há mais de 150 provas, portanto. 

O drama de Andretti – em números

Sem pontuação dobrada na etapa final neste ano, há 54 pontos em jogo na prova de St. Petersburg – 50 ao vencedor da prova e mais quatro pontos bônus. Na etapa final, excepcionalmente, haverá 24 carros no grid: os 23 que competem regularmente o ano todo mais um quarto carro da Penske, para o neozelandês Scott McLaughlin, piloto da equipe no campeonato Supercars, da Austrália e que fará sua estreia na categoria.

Desta forma, o mínimo que um piloto (e seu carro) pode somar ao largar são seis pontos pela 24ª posição. Ou seja: para tomar os dois piores colocados na tabela de entrant points como exemplo, mesmo que Bourdais e o #14 terminem em último lugar, Marco Andretti ainda precisaria levar o #98 ao 16º posto nas ruas da cidade da Flórida para descontar a vantagem de oito pontos do carro rival – coisa que ele só conseguiu quatro vezes em 13 provas neste ano, todas em corridas em ovais. 

Se não conseguir suplantar os rivais diretos, até mesmo a sequência na categoria do carro do qual é sócio, ao lado do pai Michael, de Bryan Herta e do Curb Agajanian Performance Group (a equipe do #98 oficialmente se chama Andretti Herta Autosport with Marco Andretti & Curb Agajanian), pode ficar ameaçada. E a temporada que parecia de renascimento de Marco com o comando do grid em Indianápolis pode ganhar ares dramáticos – e até de despedida – para o piloto e seu carro.

Latest Posts

Se forma Juncos Hollinger Racing; tiempo completo en INDYCAR en 2022

Ricardo Juncos anunció una asociación con Brad...

Nicci Daly, prima de Conor Daly y ex Juncos, participa en Tokio

Los Juegos Olímpicos de Verano en Tokio...

Castroneves, de vuelta en INDYCAR de tiempo completo en 2022 con Meyer Shank Racing

Helio Castroneves regresará para una temporada completa...