jueves, mayo 6, 2021

Chefe de equipe campeão com Fittipaldi em 1989, Pat Patrick morre aos 91 anos

Texto: Geferson Kern/Colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

O lendário chefe de equipe U. E. “Pat” Patrick morreu nesta terça-feira (5), aos 91 anos, em sua casa em Phoenix, no estado americano do Arizona.

Dono da Patrick Racing, ele foi um dos principais dirigentes da história da Indy, com atuação notável na segunda metade do século passado. Seu time venceu as edições de 1973, 1982 e 1989 das 500 Milhas de Indianápolis e faturou o título da Fórmula Indy em 1976 e 1989.

As duas conquistas de 89 foram obtidas com o brasileiro Emerson Fittipaldi ao volante do tradicional carro #20 e foram as primeiras vitórias brasileiras nas 500 Milhas e no campeonato da Indy.

Empresário do setor do petróleo, Patrick formou sua equipe em 1970, quando tinha como piloto outra futura lenda da Indy, Johnny Rutherford. Eles chamaram a atenção logo de cara, ao largar em segundo na estreia do time na Indy 500, apenas um centésimo atrás do pole position Al Unser.

A primeira vitória na lendária prova viria em 1973, com Gordon Johncock, em uma edição abreviada pela chuva e marcada pela tragédia: na ocasião, Patrick comemorou a vitória de Gordy, mas viu seu mecânico Armando Teran atropelado e morto nos boxes por um carro de serviço, que entrou na contramão do pitlane para socorrer seu piloto Swede Savage, que sofreu um grave acidente e morreria em julho daquele ano por complicações decorrentes da batida.

O primeiro título da Patrick Racing na Indy viria em 1976, também com Johncock. Mas o episódio que deixaria o dono do time mais famoso não esteve relacionado a nenhum troféu levantado: foi a fundação da CART (Championship Auto Racing Teams), em 1979, entidade que tomou da USAC (United States Auto Club) o controle da Indy e teve Patrick como um dos grandes incentivadores, ao lado de Dan Gurney e Roger Penske, que questionavam os rumos tomados pela Indy na época e investiram com ênfase na criação de uma entidade para gerir a categoria e que fosse controlada pelos donos de equipe.

Patrick voltaria a vencer em Indianápolis em 82, em sua última grande conquista ao lado de Johncock, que conseguiu uma vitória emocionante sobre o Penske de Rick Mears por apenas 160 milésimos. Foi a última vitória até hoje de um chassis totalmente americano na Indy 500, com o Wildcat, construído pela própria equipe em sua sede, em Indianápolis.

Anos depois, em 86, Patrick investiu na então chamada American Racing Series, que estabeleceria os pilares para a atual Indy Lights, série de acesso à Indy e considerada o último degrau no programa de formação de pilotos que sonham em chegar à categoria principal.

Ligação com o Brasil

A relação de Patrick com o Brasil começou em 1984, ano de estreia de Fittipaldi na categoria. Naquele ano, Emmo iniciou o campeonato pela equipe WIT e havia feito duas provas também pela H&R quando acertou com a Patrick para competir as últimas provas do ano no segundo carro da equipe, na vaga do lesionado titular Chip Ganassi (hoje dono da equipe multicampeã que leva seu nome). Fittipaldi ficou no time e conquistou sua primeira vitória na categoria no ano seguinte, já efetivado na escuderia, nas 500 Milhas de Michigan.

A parceria entre Patrick e Fittipaldi rendeu 11 vitórias até o fim da passagem do brasileiro pelo time, em 1989. A mais notória delas nas 500 Milhas de Indianápolis daquele ano, com um toque do Fittipaldi a duas voltas no final em Al Unser Jr., da Galles. Em 89, a dupla ainda faturou o título da categoria. O mais curioso foi que o brasileiro ganhou o campeonato com um chassis Penske em cima de Mears, da própria equipe Penske, o que gerou uma famosa frase por parte do dono da lendária equipe, Roger Penske: “ganhei com o carro errado”.

Boa parte da estrutura daquela equipe foi vendida ao fim daquele ano para seu ex-piloto e então sócio minoritário Ganassi, que passou a comandar ali a escuderia atual campeã da Indy com Scott Dixon. Patrick ainda comandou o projeto da Alfa Romeo na Indy a partir de 1990 antes de se aposentar e voltar em 1995.

Ele ainda teve em seu time os brasileiros Raul Boesel (em 1997) e Roberto Pupo Moreno (2000 e 2001), terceiro colocado na CART em 2000 e que venceu duas provas pela Patrick, entre as quais a última das 45 vitórias da equipe, em Vancouver 2001. 

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