miércoles, octubre 27, 2021

Especial Indy 500: 1977, consagração e despedida das lendas

Faltam 14 dias para as 500 Milhas em Indianápolis. E neste lugar, quando se fala no número catorze, apenas um nome pode ser lembrado: o de Anthony Joseph Foyt Jr., o maior vencedor da prova e da Indy em todos os tempos. O dono de uma carreira espetacular com sete campeonatos, 67 vitórias, 35 participações em Indianápolis – todas consecutivas, ao longo de quatro (!) décadas, de 1958 a 1992 – e quatro vitórias.

A derradeira vitória do texano de Houston no Speedway veio numa prova cheia de marcas especiais. Foi a primeira vez que a barreira das 200 mph (320 km/h) de média horária foi batida no oval de Indiana. O feito foi obtido por Tom Sneva, da Penske, que ao final do ano conquistaria o primeiro título da categoria para a equipe do capitão Roger. O incremento das velocidades se deveu em muito ao recapeamento da pista em meados do ano anterior.

Ainda, foi a última prova do dono do autódromo, Tony Hulman, que comprou o Indianapolis Motor Speedway no final de 1945 e o levou das ruínas do pós-Guerra àquilo que conhecemos hoje. O avô de Tony George morreria meses depois, ao sofrer um ataque cardíaco. Janet Guthrie se tornou a primeira mulher a disputar a prova, enquanto o lendário narrador Paul Page estreava nas 500 Milhas, em substituição ao também lendário Sid Collins, que narrava a prova pelo rádio desde 1951 e se suicidou no início de maio daquele ano, após ser diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica.

No qualify, um novato chamado Rick Mears não conseguiu se classificar. Sorte diferente dos também rookies e conhecidos Danny Ongais, Jerry Sneva (irmão do pole position Tom e falecido em 2019) e Clay Regazzoni, ele mesmo, que pilotava um McLaren-Offenhauser para a Theodore e fez uma via crucis tremenda para tentar disputar o GP de Mônaco e as classificatórias derradeiras de Indy no mesmo fim de semana – no que obteve sucesso somente na última. Nos treinos de 1977, pela última vez, alguém tentou classificar um carro de motor dianteiro para a prova. É claro que a marca só poderia caber a Jim Hurtubise e seu famoso Mallard. E, como ocorria desde 1969, Herk não obteve sucesso.

A ponta do grid estava recheada de cobras criadas de Indianápolis: o pole position Sneva, que venceria a prova em 1983, era seguido por Bobby e Al Unser, Foyt, Gordon Johncock e Mario Andretti, todos com os rostos já estampados no troféu Borg Warner. Era o pelotão que dominava as ações da prova tão logo fora mostrada a bandeira verde. Numa prova disputada sob forte calor, após três das quatro edições anteriores terem sido encerradas antes da volta 200 em função da chuva. A alta temperatura, porém, cobrou seu preço: com metade da prova, apenas metade do grid (17 de 33 carros) ainda acelerava em busca da vitória.

Johncock, da Patrick, que havia vencido o campeonato no ano anterior, parecia o homem a ser batido, mesmo diante de situação adversa. O piloto de Michigan havia tomado a ponta na volta 97 e sustentava a liderança até as últimas 50 milhas de prova. O forte calor, porém, o desgastou de forma severa: Gordy passou a se sentir exausto e sofrer com desidratação. A cada pit stop, era encharcado com água pelos seus mecânicos.

O #20 parou pela última vez na volta 181 e apenas reabasteceu, além de ter levado outro banho com baldes. Foyt, que era o segundo e, junto com Sneva, o único na volta do líder, assumiu a ponta, mas procurou o box duas voltas mais tarde para sua parada derradeira. Trocou os pneus do lado direito e completou o tanque. A liderança voltou para Johncock, mas a diferença que chegou a vinte segundos havia despecado para apenas sete.

Antes que o SuperTex a bordo de seu chassis Coyote, de fabricação própria, pudesse iniciar um ataque, porém, o carro de Johncock apareceu lento e envolto a muita fumaça na reta principal. Um virabrequim quebrado na volta 184 terminou com o seu dia. Ele encontou o carro na parte interna da curva 1 e não teve dúvidas: procurou o lago no infield do circuito para jogar água em si mesmo e se refrescar após uma prova extenuante. O índice de quebras era tão alto que, mesmo com o abandono a 16 voltas do fim, Johncock ainda apareceu classificado em 11º, a frente de dois dos meros 12 carros que conseguiram ver a bandeirada final.

Com o rival fora de combate, Foyt dominou as últimas 16 voltas com absoluta tranquilidade. Sua vantagem para Sneva, o único ainda na volta do líder, era de mais de meio minuto. O texano, já aos 42 anos, não teve dificuldades de levar o carro #14, mais uma vez, ao Victory Lane. A partir daquele dia, ele destoava dos então também tricampeões Louis Meyer, Wilbur Shaw e Mauri Rose para se tornar o primeiro tetracampeão da maior corrida do planeta. A. J. Foyt estava imortalizado para sempre, em Indianápolis e na história do automobilismo americano e mundial.

Celebradíssimo ao descer do carro, Foyt ainda convidou o proprietário da pista, Tony Hulman, para andar ao seu lado no Pace Car e saudar os fãs após a corrida. Um momento emblemático, para consagrar a glória máxima de A. J. e a despedida do homem que salvou o templo do abandono

Texto: Geferson Kern / colaborador Brasil do IndyCarLatinos.com

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